Podcast da Semana

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Gama Revista
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Епизоди 319
Последен 20.09.2026

"Podcast da Semana" traz todo domingo um bate-papo de 30 minutos com um convidado sobre o assunto da semana da Gama Revista.

Епизоди

  • Helio Santos: desigualdade e racismo 20.09.2026 34мин
    A desigualdade no Brasil segue persistente como reflexo do que o professor Hélio Santos, entrevistado desde episódio, chama de o "dia seguinte" à abolição formal da escravidão: aquele 14 de maio de 1888 em que a população negra recém-liberta foi deixada sem trabalho, sem casa e sem qualquer reparação socioeconômica. É sobre essa relação com o passado, e sobre a urgência da equidade racial, a conversa deste episódio.Helio Santos é doutor em administração pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Usp, professor e escritor. Ativista da questão racial há mais de 50 anos, publicou, entre outros, "14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo" (Zahar, 2026). Hoje, aos 81 anos, ele preside o Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra). É Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia.Na conversa com Gama, Helio Santos fala de como a escravidão ainda reverbera diariamente na nossa sociedade e de caminhos urgentes para mudar esse realidade.Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
  • Daniel Martins de Barros: sofrimento e depressão 13.09.2026 34мин
    Como lidar com o sofrimento? Quando o sofrimento deixa de ser um sentimento normal da vida e passa a ser uma doença, como a depressão? Será que estamos mais intolerantes às dores da vida? Neste episódio do Podcast da Semana, o psiquiatra Daniel Martins de Barros responde a essas e outras questões sobre sofrimento e depressão. “Quando ninguém está olhando, quando ninguém se importa, quando ninguém está nem aí, aí o sofrimento fica insuportável” diz Barros na entrevista.Daniel Martins de Barros é professor colaborador do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e médico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, além de doutor em Ciências e bacharel em Filosofia pela USP. É escritor, com diversos livros sobre saúde mental, entre eles “Sofrimento Não É Doença: Nem todas as dores precisam de remédio, mas todas merecem cuidado” (Ed. Sextante, 2025), que foi finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico de 2026.“O sofrimento é um alarme, é uma força motriz para a mudança. Tem coisas que você consegue mudar, e por isso o sofrimento acaba sendo útil. Agora, tem coisas que não têm solução. E aí você vai ter que trabalhar internamente para chegar a estratégias como compartilhar a dor, como ressignificá-la, como criar narrativas para inserir aquele sofrimento”, afirma na entrevista a Gama.Ao podcast, Barros falou sobre o que diferencia o sofrimento da depressão e o que acontece quando não cuidamos das nossas tristezas. Ele dá dicas sobre como identificar e cuidar da depressão na adolescência e reflete sobre como estamos menos tolerantes às dores da vida, algo que para ele pode ser explicado como mais um efeito do avanço da tecnologia.Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
  • Milton Hatoum: natureza e espaço urbano 06.09.2026 54мин
    A história de Manaus, seus problemas estruturais, sociais e até falta de árvores dessa metrópole, localizada no coração da Amazônia, diz muito sobre a nossa relação com a floresta e como ela vem sendo devastada. É sobre isso a conversa com o escritor Milton Hatoum, 74 anos. Seu livro “Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus" acaba de ganhar uma nova edição pela Companhia das Letras. Lançado originalmente em 2006, a obra traz uma crônica dele sobre Manaus e outra do escritor Benedito Nunes, sobre Belém.Nascido e criado em Manaus, Milton Hatoum é um dos maiores escritores brasileiros vivos, autor de livros traduzidos para diferentes países e membro, desde 2025, da Academia Brasileira de Letras. Nesse mesmo ano, Hatoum lançou "Dança dos Enganos" (Companhia das Letras, 2025), que conclui a trilogia que apresenta dramas familiares sob o pano de fundo da ditadura militar. Já “Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus", sobre o qual se baseia este episódio, foi lançado originalmente em 2006 e traz uma visão pessoal e histórica das duas principais metrópoles da Amazônia brasileira, sob o olhar afetivo e crítico de Benedito Nunes e Milton Hatoum.Na conversa com Gama, Hatoum fala das transformação de paisagem a qual observou na sua cidade, do motivos que nos fazem estar tão distantes da floresta e da educação como solução central para os problemas do país. "Vivemos em uma contínua apreensão”, diz.Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
  • Ed René Kivitz: espiritualidade no Brasil 30.08.2026 34мин
    Como desenvolver a espiritualidade? É possível estar em contato com ela sem estar imerso numa religião? Para o pastor Ed René Kivitz a resposta é positiva, mas são as religiões que oferecem um repertório para orientar e apontar caminhos. “E como seria uma pessoa espiritualizada? Seria humana. O que existe de mais divino no ser humano é viver a humanidade com dignidade. Esse é o caminho da espiritualidade”, disse em entrevista ao Podcast da Semana.“A gente tem hoje uma espiritualidade ou uma religiosidade de consumo, é a teologia da prosperidade, a teologia coaching, a teologia do sucesso, do empreendedorismo. Quer dizer, isso é muito contemporâneo, isso causaria espécie nos místicos do passado, de todas as tradições espirituais”, afirma o pastor a Gama.Ed René Kivitz é teólogo e mestre em ciências da religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Ele é também escritor e acaba de lançar “Uma Ideia Elegante de Deus” (Zahar, 233 págs., 2026). Kivitz mantém um canal no YouTube com cursos, entrevistas e vídeos em que fala de temas sociais e políticos, e é membro do conselho pastoral da Igreja Batista de Água Branca, onde foi pastor-presidente de 1989 até o ano passado.Na entrevista, o pastor fala sobre como vê a espiritualidade do brasileiro, a relação entre religião e política, e como o mundo acelerado e hiperconectado de hoje torna as relações mais superficiais e as pessoas mais desamparadas. Kivitz também fala sobre como ele se tornou uma voz dissonante na igreja evangélica, mas diz que não está sozinho.“Nesse momento do Brasil há um choque de culturas cristãs, a hegemonia católica sendo confrontada pelo crescimento da Igreja Evangélica no Brasil. A religiosidade do brasileiro hoje está em busca de um de um Deus todo-poderoso que resolva os problemas do país. Nós temos um dos candidatos dizendo que vai declarar o Brasil como pertencente ao Senhor Jesus, como se Jesus fosse ser eleito na urna. É uma coisa contraditória.”Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
  • Patricia Valentini: menopausa e memória 23.08.2026 24мин
    Se tem um sintoma que é relatado especialmente durante a perimenopausa – aquele período que antecede a menopausa propriamente – é a brain fog, ou a névoa mental. Uma perda de memória ou confusão mental que tem relação com as variações hormonais desse período, como nos explica a convidada deste episódio, a médica Patrícia Valentini Melo.Dra. Patrícia Valentini Melo é formada pela Faculdade de Medicina da Usp, especialista em ginecologia, obstetrícia e mastologia, com foco no cuidado da mulher 40+. Com formações em saúde integrativa e suplementação nutricional.Na conversa com Gama, Valentini fala especialmente sobre menopausa e alterações cognitivas. Explica o que causa a chamada névoa mental, em qual fase ela aparece mais intensamente e a relação entre estilo de vida e os diferentes sintomas da menopausa.Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
  • Malu Gatto: por que mulheres são minoria na política 16.08.2026 34мин
    A eleição deste ano será a primeira deste século sem mulheres em chapas presidenciais competitivas. Elas ainda ocupam pouco espaço na política. Os motivos para não se candidatarem incluem a violência de gênero, o desrespeito às cotas, a falta sistemática de investimento em candidaturas femininas pelos partidos, entre outros temas que a cientista política Malu Gatto, pesquisadora do tema, traz ao novo episódio do Podcast da Semana, da Gama.Malu A. C. Gatto é doutora em ciência política pela Universidade de Oxford e Professora de Política latino-americana no Instituto das Américas da University College London (UCL). Com uma pesquisa que explora questões relacionadas às dinâmicas de gênero nas áreas de comportamento eleitoral, representação política e políticas públicas, ela é autora "Resistance to Gender Quotas in Latin America" (Oxford University Press, 2025) e coautora, com Débora Thomé, de "Candidatas: os primeiros passos das mulheres na política no Brasil" (FGV Editora, 2024), selecionado pela Associação Brasileira de Ciência Política como um dos melhores livros do biênio 2024-2025.Na conversa com Gama, ela fala das dificuldades enfrentadas pelas mulheres que desejam se candidatar, do quanto elas precisam ser mais escolarizadas para que consigam disputar e de como partidos conservadores instrumentalizam candidaturas femininas.
  • Maurício Pereira: filhos e música 09.08.2026 37мин
    “Ter tido tanto contato com as crianças e com essa coisa ancestral que é criar um filho… Imagina um artista ter chance de vivenciar essa proximidade com o universo louco de uma criança e ser obrigado a trazer a tua tradição junto. E, ao mesmo tempo, eu acho que o artista, Maurício Pereira, estava lá, trabalhando no subsolo.”A declaração é do cantor, compositor, letrista e saxofonista Maurício Pereira, convidado do Podcast da Semana do Dia dos Pais. Na entrevista, ele fala sobre seu novo álbum, “O Dia da Girafa”, que tem a participação dos filhos.O Mauricio Pereira é músico desde os anos 1980 e ficou conhecido como integrante da dupla Mulheres Negras, com o André Abujamra. Logo depois, já partiu numa carreira solo que rendeu algumas das letras mais famosas da música paulistana. Ele ficou conhecido como um letrista-cronista, por falar do cotidiano da cidade como poucos. No novo álbum, no entanto, as crônicas são menos sobre as ruas e mais sobre o que passa na sua cabeça.Feito a partir de escritos da pandemia, “O Dia da Girafa” é o primeiro primeiro álbum de inéditas de Pereira desde 2018 e reúne uma série de colaborações de artistas de gerações mais jovens. Entre eles, estão os filhos o violonista Chico Bernardes, que assina a coprodução e a mixagem, e Tim Bernardes de O Terno. Os dois fizeram arranjos e compuseram junto ao pai.A Gama, Pereira fala sobre como é trabalhar com os filhos, como é vê-los seguindo o mesmo caminho que você trilhou, e como é a experiência de ser pai e artista, algo que o Maurício também já colocou em suas letras.“Trabalhar com o Chico nesse disco me mostrou facetas dele, ele foi muito importante na costura musical, como instrumentista. (…) Com o Tim sempre teve muita troca musical também, é um moleque do século 21, muito multidisciplinar”, conta.Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
  • Lucas Bulamah: sexo e traição 02.08.2026 36мин
    É difícil ver a traição como algo que não seja ruim ou imoral. Mas e se a traição for algo inescapável ou até mesmo positiva para a saúde de um relacionamento? É sobre isso que gira o episódio desta semana do Podcast da Semana, que recebe o psicanalista Lucas Bulamah para conversar sobre sexo.“O sexual, por excelência, não pode caber numa relação amorosa, monogâmica. Ele não faz parte da relação. O sexual é, por excelência, traição, ele necessariamente tem que estar fora da relação. E a relação é protegida por essa busca, esse deslocamento do sujeito para um outro lugar, um outro analista, um amante, que visa proteger esse espaço de harmonia, esse espaço de familiaridade que é a relação principal, monogâmica, o casamento, o namoro”, afirma a Gama.Doutor em psicologia clínica pela USP, o psicólogo e psicanalista está lançando “Do Amor e seu Avesso: Uma apologia da traição” (Paidós), em que as razões da traição, algo que pode ser menos complicado que os acordos da não monogamia. Neste livro de ensaios, ele mescla conceitos da psicanálise, com filmes, letras e música e a própria experiência clínica.Na conversa que você ouve nas plataformas de áudio, Lucas fala sobre os acordos de um casamento, sobre caos e prazer e diz que para trair, muitas vezes, não é preciso nem fazer sexo. “A traição prescinde do ato, do corpo de delito. É o que resgata no sujeito algum tipo de circulação erótica”, diz na entrevista.Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
  • Sharon Sanz Simon: longevidade hoje 26.07.2026 31мин
    Até que ponto é possível construir a maneira como queremos envelhecer? Para a neurocientista e psicóloga Sharon Sanz Simon, entrevistada deste episódio, o importante é pensar que o envelhecimento é algo que começa hoje, nas nossas escolhas relacionadas à saúde e bem-estar que fazemos a cada dia.Sharon Sanz Simon é professora e pesquisadora do Krieger Klein Alzheimer’s Research Center, da Universidade Rutgers (EUA), onde dirige o EngAGING Lab. Doutora pela Faculdade de Medicina da USP, foi fellow em Harvard e fez pós-doutorado na Universidade Columbia.Em seu livro "Longevidade Hoje: o que a neurociência e a psicologia falam sobre envelhecer bem em qualquer idade" (Fósforo, 2026), escrito em parceria com Ilana Pinsky, ela parte de dados científicos para apresentar o envelhecimento como um processo que se constrói ao longo de toda a vida.Na conversa com Gama, ela trata da relação entre demência, Alzheimer e a passagem dos anos, sobre os caminhos possíveis que a ciência indica para uma manutenção da nossa memória, da importância de se manter uma comunidade e como lidar com o envelhecimento daqueles que amamos – e de nós mesmos.
  • Paulliny Tort: Literatura, imaginação e ciência em "Os Imortais" 19.07.2026 31мин
    Foram cinco anos de trabalho para que a escritora e jornalista Paulliny Tort concluísse “Os Imortais”, romance que narra o encontro de um clã de neandertais com um grupo de homo sapiens. O livro, lançado no começo deste ano, já é a maior febre literária do ano e Tort é uma das presenças mais esperadas na edição de 24ª Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty.Na entrevista ao Podcast da Semana, a escritora conta como chegou à linguagem crua e precisa do livro. “Limpei o texto de todos os anacronismos. Por exemplo, não tem o verbo sapatear porque, embora eles usem calçados, não são sapatos. Fiz uma pesquisa etimológica e limpei as figuras de linguagem. Foi um processo bem interessante e foi importante ele ter passado por esse estado de crueza. Mas depois eu fui voltando com as figuras de linguagem e com o que era mais sonoro e mais fluído para mim.”Mestre em Comunicação e Sociedade pela UnB, Tort é também autora de “Erva Brava” (Fósforo, 2024), seu primeiro livro de contos, que foi vencedor do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e finalista do prêmio Jabuti 2022; e de “Allegro ma non troppo” (Oito e Meio, 2016), semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura.Ainda recente, “Os Imortais” já pode ser descrito como uma febre. Original e surpreendente, virou tema frequente nas redes sociais e fora delas. “A literatura toca no outro pela sensibilidade. Você pode se emocionar com um personagem que talvez você não concordasse com a forma como ele vive. Esse lugar da imaginação e do sentir que a literatura oferece é o que mais me interessa”, diz.Estudiosa da biologia (Tort fez cursos na área e um estágio em primatologia), conta que não pesquisou exatamente para escrever o livro, mas chegou a passar dias caminhando e fazendo jejum para reproduzir o que vivem seus personagens. “O jejum é um processo fisiológico e psíquico muito interessante, que não acontece só no corpo, mas na mente também, e muda a nossa percepção e a nossa relação com o tempo”, afirma.Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
  • Emicida: memória e imagem 12.07.2026 39мин
    Emicida acaba de lançar "Mesmas Cores & Mesmos Valores", como uma homenagem ao álbum "Cores & Valores", dos Racionais MCs, lançado em 2014. Mas o disco é também uma ode ao rap, esse gênero e movimento que tem a incrível capacidade de retratar e transformar realidades. Convidado do novo episódio do Podcast da Semana, da Gama, Emicida trata das inspirações para esse disco, e do show que segue em turnê.Aos 40 anos, o rapper lota shows que conectam públicos de diferentes gerações. Grande leitor e pesquisador, ele coleciona referências de todo tipo, e também sobre o Brasil e seus dilemas sociais — tanto que em 2025 chegou a ser citado pela ministra Cármen Lúcia em um julgamento no STF, que utilizou o trecho da música "Ismália" para tratar de racismo estrutural.Na conversa com Gama, Emicida reflete sobre a importância de Mano Brown e dos Racionais MCs em sua formação artística e pessoal. Detalha sua relação com a imagem e fala da escolha pelo fotógrafo Walter Firmo, de 89 anos, para assinar algumas imagens do álbum. E explica ainda como o novo disco deve ser "assistido com os ouvidos", como ele diz.Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
  • David Nemer: o triste legado das bets 05.07.2026 33мин
    Além da catástrofe financeira, você já parou para pensar que as bets estão mudando o jeito de muita gente olhar para a vida e as suas paixões? No caso do futebol, agora na Copa do Mundo, ficou bem óbvio."O futebol sempre foi o nosso ritual mais coletivo, aquele momento raro em que a favela, o asfalto e o condomínio fechado torcem ao mesmo tempo para a seleção. E as bets quebraram esse desejo único em centenas de pequenos mercados, de pequenas transações. Hoje, a pessoa não vai torcer só para um gol, vai torcer para um escanteio, um cartão amarelo, os minutos de acréscimo. As bets sequestraram essa paixão brasileira", diz o antropólogo David Nemer, o convidado do Podcast da Semana da edição sobre bets.Nemer é professor nos departamentos de Estudos de Mídia, de Antropologia e do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Virgínia. Ele pesquisa tecnologia nas favelas e, nos últimos anos, se dedica a entender os efeitos das bets no Brasil.Na entrevista que você ouve abaixo, ele fala sobre como as bets têm um modelo de negócios que tira proveito da vulnerabilidade e defende que é errado pensarmos em vício, pois assim "individualizamos" o problema e culpabilizamos o usuário."A questão, tanto do iludido quanto do viciado, não dá conta do que realmente acontece. Ela individualiza uma coisa que é estrutural, que é um produto desenhado para extrair, inclusive de quem é informado", afirma o pesquisador.Segundo Nemer, a Copa funciona como uma grande campanha de recrutamento, trazendo gente nova para as plataformas. "Depois dessa festa, vem a conta, que vai ser o endividamento, o empréstimo com o amigo que não vai conseguir pagar, com agiota. Em lares precarizados, há um abandono familiar. O homem na favela se apropria do dinheiro da mulher, sendo que sete em cada dez lares são mantidos por mulheres. E as mulheres, claro, ao lutar pelo seu dinheiro para sustentar a casa, acabam em confronto e são agredidas."Ele defende o banimento total e diz que, ainda assim, as bets deixarão um triste legado. "Uma dependência social foi criada e as pessoas buscarão outras formas de aposta."Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
  • Flávia Lins e Silva: como despertar a curiosidade nas crianças 28.06.2026 27мин
    Se o seu filho ou sua filha lê a série "Diário de Pilar" (Pequena Zahar), escrita por Flávia Lins e Silva, você já deu um grande passo para formar uma mente curiosa, aberta a conhecer diferentes culturas, sabores, histórias e modos de viver. O novo episódio do Podcast da Semana, da Gama, traz a escritora Flávia Lins e Silva para falar sobre Pilar, essa menina que viaja pelo mundo descobrindo os mitos mais antigos da humanidade, e sobre despertar a curiosidade das crianças.Flávia Lins e Silva é escritora, roteirista e jornalista. Com mais de dez livros publicados, é conhecida principalmente por ter criado as séries "Diário de Pilar" e "Os Detetives do Prédio Azul" (Pequena Zahar). Trabalhou como roteirista da TV Globo por 16 anos e, em 2011, ganhou o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil com seu livro “Mururu no Amazonas" (Globo Livros). "O Diário de Pilar na Amazônia" acaba de virar filme, lançado pela Disney e adaptado para o cinema pela própria Flávia e por João Costa Van Hombeeck.Na conversa com Gama, a autora fala de seu processo de escrita, da importância de apresentarmos a Amazônia para as crianças e do seu interesse pela meditação e pela contemplação da natureza. Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
  • Isabela Venturoza: meninos e as masculinidades 21.06.2026 36мин
    Como criar meninos conscientes e empáticos quando eles são o alvo preferencial da machosfera? Como conseguir manter uma proximidade real com eles e ficar a par de que influências estão sobre eles quando estamos todos cada vez mais atarefados?“O quanto a gente está interessado e, de fato, está acompanhando essa criança e esse adolescente, que nem sempre é fácil de estar do lado, nem sempre está aberto também para dialogar com a gente?”, questiona a antropóloga Isabela Venturoza, entrevistada do Podcast da Semana sobre a formação das masculinidades em crianças e adolescentes.“É preciso saber o que ele está fazendo ali, nos conectar com ele cotidianamente — porque às vezes a gente está no capitalismo selvagem, às vezes a gente não está conectado nem consigo mesmo, porque está ali só sobrevivendo e entregando pauta, continuando cada dia de uma vez”, afirma.Doutora em Antropologia Social pela Unicamp e mestra pela USP, Venturoza é professora da pós-graduação na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença da USP, além de coordenar o Núcleo de Estudos Interseccionais sobre Homens e Masculinidades (NUM). É ainda cofundadora do Instituto Feminista de Cuidado (IFC) e colunista da revista Azmina.Na conversa que você ouve abaixo e nas plataformas de áudio, ela fala sobre a importância de ouvir os meninos, de dar referências e de ter um cuidado próximo. Ela comenta sobre o crescimento e a difusão da ideologia masculinista e do movimento red pill na internet e até em cursos, um perigo real para meninos e meninas, e um grande negócio para muita gente.Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
  • Doutor Maravilha: Saúde LGBTQIAPN+ e PrEP 14.06.2026 33мин
    O que significa pensar a saúde da população LGBTQIAPN+ quando falamos de um grupo tão diverso? Embora as experiências sejam diferentes, o acesso à saúde, à prevenção de doenças e à qualidade de vida ao longo dos anos deveria ser compartilhado por todos, como explica o convidado deste episódio, o o infectologista Vinícius Borges, conhecido nas redes sociais como Doutor Maravilha, que orienta e atende especialmente essa população.Vinícius Borges é médico infectologista com formação pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e que pesquisa especialmente saúde e envelhecimento LGBT. Na conversa com Gama, o especialista fala sobre o estigma relacionado ao HIV, que ainda persiste quase 45 anos após os primeiros casos registrados.Trata ainda de envelhecimento da população LGBT, e da importância de construir redes de apoio para essa fase da vida, explica os benefícios da PrEP, a Profilaxia Pré-Exposição, associada à queda consecutiva dos novos casos de HIV na cidade de São Paulo ao longo de quase uma década.Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
  • Laurinha Lero: As dificuldades do amor contemporâneo 07.06.2026 13мин
    Entender o amor hoje é tão difícil que, neste episódio, Gama resolve apelar para a ficção, pois, quem sabe, ali há uma luz. Neste episódio do Podcast da Semana do Dia dos Namorados, entrevistamos Laurinha Lero. Gama ouve a autora, podcaster e crítica cultural sobre o relacionamento amoroso contemporâneo: "Ser feliz é um dos resultados menos interessantes do amor", ela afirma na entrevista.Laurinha Lero ficou conhecida no Brasil inteiro no começo desta década com o seu podcast "Respondendo em Voz Alta", em que fazia comentários e respondia dúvidas dos ouvintes. Hoje, escreve crítica cultural em seu site, resenhando biografias de famosos e reality shows de qualidade questionável. É célebre pelo seu humor afiado e nonsense, como fica bem claro neste episódio.Na conversa que você ouve nos aplicativos de áudio e lê na transcrição abaixo, Laurinha Lero fala sobre o amor contemporâneo, sobre a pressão que os solteiros sofrem para encontrar alguém, comenta a situação das mulheres hétero e fenômenos atuais comuns nas relações como o "love bombing".Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
  • Amanda Lyra: Literatura, mulheres e terror 31.05.2026 28мин
    O gênero do horror vem ganhando espaço na literatura ibero-americana contemporânea escrita por mulheres. Autoras premiadas como Mariana Enriquez, da Argentina, María Fernanda Ampuero, do Equador, e Laila Martínez, da Espanha, recorrem a elementos do horror e do fantástico sombrio para abordar traumas, diferentes formas de violência e outras questões sociais. É sobre esse tema o novo episódio do Podcast da Semana, com a atriz e diretora Amanda Lyra, que partiu de contos desse universo para, ao lado de Juuar, montar a peça Estratagemas Desesperados.Amanda Lyra é atriz e diretora. Formada pela Escola de Arte Dramática da USP. Fez a dramaturgia e direção (ao lado de Juuar) do espetáculo Estratagemas Desesperados (2025). Idealizou e atuou no monólogo Quarto 19, criado a partir do conto homônimo de Doris Lessing, com direção de Leonardo Moreira. Como atriz convidada, atuou em peças de diretores como Felipe Hirsch, Yara de Novaes, Carolina Bianchi e Daniela Thomas, entre outras.Na conversa com Gama, Lyra trata de literatura, gênero, teatro e dos estereótipos por trás de ser mulher, e mulher latino-americana.Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
  • João Paulo Becker Lotufo: adolescentes, cigarro e vape 24.05.2026 29мин
    Você já percebeu que o cigarro voltou com tudo na cultura? Está nos filmes, nas capas das revistas de moda? E o que isso faz com a juventude que, além do cigarro tradicional, encontra alternativas como o eletrônico e até sachês de nicotina?“A ideia é viciar o jovem para que ele fique dependente e consuma esse produto o resto da vida, mesmo raciocínio feito com cigarro tradicional na década lá de 1950, 1960. A técnica de marketing agressivo é a mesma e o jovem entra nessa porque precisa ser igual ao artista lá do filme que ganhou o Oscar”, afirma o médico pediatra João Paulo Becker Lotufo, o convidado da edição do Podcast da Semana sobre jovens e cigarro.Coordenador do Grupo de Trabalho sobre Drogas e Violência na Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Lotufo é doutor em pediatria pela Universidade de São Paulo e membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB). É também responsável pelo Projeto Dr Bartô e os Doutores da Saúde, que tem um programa de prevenção de drogas em escolas de ensino fundamental com aconselhamento e distribuição de leituras infantojuvenis sobre o tema.Ao Podcast da Semana, o médico explica que hoje é mais preciso referir-se ao uso do cigarro por adolescentes como nicotinismo e não tabagismo, considerando os novos produtos que surgem como vapes e sachês de nicotina. Ele fala que é fundamental que os pais mantenham relações próximas com os filhos para serem ouvidos, e que não fumem também, e dos malefícios que o hábito de fumar cigarro eletrônico traz, incluindo a doença chamada de evali (lesão pulmonar associada ao uso de produto de cigarro eletrônico ou vaping).“O cigarro eletrônico chega a ter de cinco a seis vezes mais nicotina do que o cigarro tradicional, então vicia muito mais rapidamente e o nível sanguíneo da nicotina em quem fuma cigarro eletrônico está cinco a seis vezes maior do que quem fuma um maço de cigarro, que é a média diária”, afirma na entrevista.Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima
  • Carolina Althaller: mulheres e segurança nas cidades 17.05.2026 27мин
    A segurança pública é a maior preocupação das mulheres brasileiras. O medo e a violência moldam como elas se movem pela cidade — andar nas ruas, pegar transporte público, praticar esportes ao ar livre são situações que causam tensão e acabam limitando a circulação delas no espaço urbano. "É um medo que reorganiza a vida inteira", diz a pesquisadora Carolina Althaller, que participou de uma pesquisa sobre o tema como parte do projeto Mulheres em Diálogo.Althaller é diretora executiva do Instituto Update, mestranda em Comunicação e Cultura Digital pela Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro e especialista em Política e Sociedade pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UFRJ).Na conversa com Gama, trata das principais preocupações das mulheres de diferentes realidades em relação à segurança pública e à circulação pelas cidades, das estratégias criadas por elas para melhorar essa realidade e das políticas públicas essenciais para que as mulheres possam circular pelas cidades com segurança e liberdade.Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic
  • Ana Leoni: maternidade e finanças 10.05.2026 33мин
    O que muda nas finanças pessoais com a maternidade? Além do aumento nos gastos, como as mulheres em especial lidam com essa nova realidade? No caso das mães solo, que chefiam 14,9% dos lares brasileiros, quais são as maiores dificuldades?A entrevistada deste episódio do Podcast da Semana, a planejadora financeira Ana Leoni, fala dos caminhos possíveis para fechar as contas com a chegada dos filhos -- considerando a realidade de um país em que as mulheres ganham 21% a menos do que os homens.Ana Leoni é CEO da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro, a Planejar, sócia e cofundadora da BEM Educação, comentarista da Rádio CBN e autora do perfil Dinheiro com Atitude, que nasceu de sua vontade de compartilhar seus 30 anos de experiência no mercado de capitais e de ajudar as pessoas a colocar a vida financeira em ordem.Na conversa com Gama, Leoni fala da mudança de prioridades com a chegada da maternidade, da necessidade de planejar gastos e das estratégias das mulheres que são chefes de família para fechar a conta no final do mês. "Nasce um senso de proteção e uma visão de longo prazo", diz.Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic