Um Género de Conversa
Rádio Comercial | Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto
0
Este podcast é sobre mulheres. Não é vedado aos homens mas, insistimos, é sobre as mulheres. Uma hora de conversa entre mulheres, sobre mulheres, para mulheres. Os homens que calharem a ouvir são capazes de beneficiar com isso. Pelo menos elas acham que sim. Uma é a Patrícia Reis, a outra a Paula Cosme Pinto, e são elas as anfitriãs deste lugar de fala feminino. Um podcast Rádio Comercial.
Epizody
-
Veronyka Gimenes: “Quando tudo é gratuito, provavelmente você é o produto” 16.09.2026 52minTecnologia, soberania digital, manipulação de massas, regulação, poder e participação cívica: a convidada deste episódio do podcast Um Género de Conversa é considerada por muitos uma verdadeira justiceira do universo da inteligência artificial, algo que lhe tem valido reconhecimento internacional. Citando Eduardo Galeano, a hacker brasileira Veronyka Gimenes recorda que “somos o que fazemos para mudar o que somos” e acrescenta o quão importante é o processo de nos irmos hackeando, transformando tudo o que a gente é em algo que faça mais sentido para o momento.” Esta ideia ganhou um significado particular depois da experiência que viveu em 2024, quando um episódio do podcast Entre Amigues, dedicado à diversidade dentro da comunidade LGBTQIA+, saiu da sua esfera habitual de ouvintes e se tornou viral por causa da menção à expressão boyceta. “Depois que você fura a bolha, acreditem, você quer voltar para a sua bolha”, admite, descrevendo a onda de violência online que se seguiu. Perante milhares de ameaças e comentários de ódio, a activista e co-fundadora da associação Código Não Binário decidiu, em conjunto com a sua equipa, responder ao ataque, recorrendo à própria tecnologia. Desenvolveu um modelo de inteligência artificial em código aberto, de língua portuguesa, capaz de identificar diferentes formas de violência online. O trabalho de rastreio e análise de mais de 12 mil conteúdos revelou aquilo que considera ser uma hierarquia de prioridades das plataformas digitais. “A gente viu, por exemplo, que se a gente denunciava o ódio como propriedade intelectual, copyright, aí saía do ar na hora o conteúdo de ódio. Agora, se a gente denunciava como discurso de ódio, não saía.” Os dados recolhidos serviram também de base a uma acção judicial contra vários gigantes da tecnologia. “É ousado, a gente fica com um pouco de receio”, assume Gimenes, que reconhece a dimensão do desafio. “Mas, ao mesmo tempo, é algo que precisa começar a acontecer. Não somos totalmente impotentes.” Considera que um dos desafios centrais da actualidade é a tendência de se confundir inteligência artificial com os produtos desenvolvidos somente pelas grandes tecnológicas, portanto, começou também a dar formação sobre como usar de forma consciente as novas tecnologias e que alternativas existem. “Quando a gente não diferencia a inteligência artificial da big tech das outras, a gente acaba servindo a big tech. Porque exactamente o que eles querem é que a gente pense que os produtos deles são sinónimo do sector inteiro. Não são.” Num momento em que os dados pessoais, a desinformação, os deepfakes e a concentração de poder tecnológico ocupam o centro do debate público, Veronyka Gimenes recusa o fatalismo. “Não basta a gente simplesmente acompanhar esse fim do mundo e entender que as coisas estão piorando e piorando e piorando. É o momento de agir.” Defensora do software livre e da tecnodiversidade, argumenta que a tecnologia não é um destino inevitável, mas um processo que pode ser transformado. “As tecnologias são como processos, os processos mudam, você actualiza”, afirma. A mesma lógica aplica-se aos sistemas de IA, que, sim, podem reproduzir desigualdades, mas também podem ser desenhados de forma diferente e servir as populações. “Qualquer pessoa pode programar hoje. Isso é muito importante para a gente definir os rumos da internet”.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Sónia Duarte Lopes: "O tráfico de bebés na internet tem vindo a crescer” 09.09.2026 44minNeste episódio do podcast Um Género de Conversa, Sónia Duarte Lopes, psicóloga clínica e coordenadora regional da Delegação de Lisboa da Associação para o Planeamento da Família, desmonta alguns dos maiores mitos em torno de um dos crimes mais lucrativos do mundo. "A invisibilidade do tráfico de seres humanos não existe apenas para quem está de fora. Muitas vezes, as próprias vítimas não reconhecem que estão a ser exploradas", afirma. Um especialista explica que a vulnerabilidade é a principal arma dos traficantes. “As vítimas de tráfico humano estão, invariavelmente, em contextos de vulnerabilidade”, sublinha. A pobreza, a falta de educação, o desconhecimento da língua e dos direitos próprios levam muitas pessoas a aceitarem situações de exploração na esperança de uma vida melhor. “Acreditam que, se se sujeitarem, virá a recompensa”. Uma crença que se começa a discutir quando surgem os invariáveis ciclos de violência, as ameaças e o medo pela própria vida. Um dos exemplos mais marcantes relatados por Sónia Duarte Lopes é o de uma vítima de escravidão em território nacional. "Uma pessoa esteve 18 anos a ser explorada numa quinta de pessoas abastadas. Quando foi retirada, já não se lembrava nem do nome das cores, nem conseguiu contar até 10, tal era o isolamento e os maus-tratos executados." O caso ilustra uma realidade muitas vezes difícil de compreender para quem está de fora, incluindo as autoridades. "Não é a porta aberta que faz com que elas fujam. O que as prende é uma vulnerabilidade tão profunda que não permite pedir ajuda." Nestes 50 minutos de conversa, aborda ainda a exploração sexual de mulheres e meninas, uma realidade marcada por mecanismos de controlo psicológico. “Invariavelmente, essas mulheres ficam isoladas, muitas vezes nem sequer sabem o sítio do país em que estão. São ameaçadas pela vergonha de serem denunciadas à família”, explica. "Há muita coação psicológica e muita dificuldade em romper com o que se está a passar." Os perigos do recrutamento através das plataformas digitais são outros dos temas envolvidos, a par de fenómenos emergentes, como a venda de bebés através da internet. “A venda de bebés tem vindo a surgir nos últimos tempos, e não me admiro que apliquem mais casos, porque é muito difícil chegar a quem está por trás”, alerta, referindo o escudo do anonimato e a exposição proporcionada pelas redes sociais. Desafiando a ideia de que o tráfico de seres humanos é um problema distante, Sónia Duarte Lopes realça uma realidade incómoda: há portugueses a serem traficados em Portugal. Aliás, o número de casos sinalizados por cá tem registos batidos, tal como mostramos os dados do último RASI. Aqui ou além-fronteiras, nenhum centro de todas estas formas de exploração está sempre o exercício do poder sobre quem se encontra numa posição mais frágil. “Mas é importante perceber que o uso do poder sobre outra pessoa não precisa de ser físico. Muitas vezes é um poder psicológico, estrutural”, afirma. “Pode vir do simples fato de uma pessoa ter uma posição social diferente e a outra estar numa situação de grande vulnerabilidade.”See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Ana Markl: “Já pensei em tirar as mamas para viver sossegada” 02.09.2026 50minEntre a ansiedade, a maternidade após os 40, a perimenopausa e o receio que regressa a cada rastreio do cancro da mama, Ana Markl protagoniza uma das conversas mais íntimas da nova temporada de Um Género de Conversa, onde fala também da síndrome do impostor e da quase perda do irmão. Conhecida do público pela rádio, televisão, livros e podcasts, Ana Markl revela uma faceta menos visível: a de alguém que continua a questionar-se e a desafiar-se. "O meu grande medo é cair no ridículo e achar que sou uma coisa que não sou", confessa. Mas há outro receio que atravessa a conversa: "O meu grande medo é acabar a vida sem fazer tudo o que me apetece fazer." Foi essa inquietação que a levou a voltar a estudar. Jornalista de formação, decidiu regressar à universidade para frequentar Psicologia, uma decisão que a própria explica ter surgido da vontade de compreender melhor os outros, mas também da busca de novas possibilidades para si própria. "Voltei a estudar aos 40 anos porque ainda queria mudar de vida", afirma. E resume o objectivo numa frase simples: "Quero ser livre." Ao longo de quase uma hora de conversa, Ana Markl fala ainda da maternidade e das expectativas que continuam a ser depositadas sobre as mulheres. "A maternidade não nos salva de nós próprias", afirma, numa reflexão sobre culpa, exigência e os desafios emocionais associados ao papel de mãe. Sem romantizações nem fórmulas mágicas, Ana Markl descreve também uma convivência diária com a ansiedade. "Ela nunca desaparece, aprendemos a viver com ela", diz, explicando a importância da terapia no reconhecimento de padrões de pensamento e comportamento. A conversa passa também pelo impacto do AVC sofrido pelo irmão, Nuno Markl, e pela forma como esse episódio reforçou um sentido de responsabilidade familiar que sempre sentiu. A perimenopausa ocupa igualmente um lugar de destaque neste episódio. Ana Markl descreve uma fase em que deixou de reconhecer a pessoa que era e critica a falta de informação em torno desta etapa da vida. "Se não fosse saber que a perimenopausa existia, eu era levada a crer que era um lixo", confessa, defendendo a necessidade de maior literacia e de preparação médica para acompanhar as mulheres neste processo.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Lúcia Vicente: “É mais eficaz ter mulheres a convencer outras mulheres a perderem direitos” 26.08.2026 47minDurante décadas, o feminismo procurou ampliar a liberdade, os direitos e as oportunidades das mulheres. Hoje, porém, cresce um movimento que o aponta como responsável por muitos dos males da sociedade. E não são apenas os gurus da machosfera a fazê-lo. Como alerta a historiadora Lúcia Vicente, também há mulheres que defendem um regresso aos papéis tradicionais de género. Sob a bandeira das tradwives, promovem a submissão feminina, a dependência económica e a esfera doméstica como caminho privilegiado para a felicidade. Tradwives, redpill, machosfera, feminismo reaccionário ou gurus digitais deixaram de ser simples chavões da internet para se tornarem movimentos com influência crescente sobre a forma como milhares de jovens olham para as mulheres, os homens e a própria democracia. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Lúcia Vicente, autora de Portuguesas com M Grande e Feminismo de A a Ser, traça o retrato de um universo que cresce à velocidade dos algoritmos. “Temos mesmo de ensinar as pessoas mais novas a questionar o mundo e as consequências destas ideias na vida dos outros”, defende. Ao longo de 50 minutos de conversa, a investigadora explica como estes movimentos exploram inseguranças e recuperam discursos antigos, revestindo-os de uma estética apelativa e de uma linguagem aparentemente moderna. “É o regresso do grande macho, de uma masculinidade performativa, exagerada, violenta, profundamente ligada ao antifeminismo e à misoginia”, afirma, preferindo o termo “machosfera” a “manosfera”. A preocupação, contudo, não se limita aos rapazes. Lúcia Vicente alerta para comunidades dirigidas às mulheres, como as tradwives, que promovem o regresso aos papéis tradicionais de género e apresentam a submissão feminina, o papel exclusivo de cuidadora e os valores cristãos como caminhos para a felicidade. “O patriarcado percebeu que a forma mais eficaz de convencer as mulheres a abdicar de direitos era utilizar outras mulheres para lhes dizer que isso era bom para elas”, ressalva. Tal como na machosfera, também aqui o feminismo surge como a causa de todos os males: a liberdade sexual feminina é um problema, assim como a visão interseccional da sociedade, cuja suposta “ordem natural” das responsabilidades de homens e de mulheres tem de ser reposta. A estratégia parece funcionar, como mostram conteúdos crescentes nas redes sociais em que jovens mulheres de 18 anos expõem as suas vidas após as abandonarem para casar, ter filhos e depender financeiramente dos maridos, a quem estão, inclusive, dispostas a ceder o seu direito ao voto. Um fenómeno alimentado por influenciadoras conservadoras, amiúde ligadas a partidos de extrema-direita e movimentos religiosos, que, apesar de defenderem a submissão feminina, construíram negócios milionários que lhes garantem autonomia e poder. Para contrariar estas “narrativas manipuladoras”, a historiadora defende que o feminismo deve envolver também os homens. “Se o patriarcado tem no homem o seu maior aliado, por que razão não estamos também a educar homens para serem feministas e para desconstruírem o privilégio?”, questiona. A reflexão estende-se à influência dos algoritmos, à captação de adolescentes por discursos extremistas e à necessidade urgente de capacitar pais, professores e educadores para reconhecer estes fenómenos. "Primeiro, temos de educar quem educa. Pais, mães, professores e avós precisam de conhecer esta linguagem, estes símbolos e estes movimentos. Só assim conseguirão reconhecer os sinais”, explica a escritora. "As crianças já não brincam na rua, porque achamos que é perigoso, mas depois deixamos que passem horas a conversar com desconhecidos através dos jogos online. É aí que também precisamos estar atentos."See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Marta Crawford: “O tão glorioso pénis tem muito menos prazer do que o clítoris” 19.08.2026 52minJá passaram mais de 20 anos desde que Marta Crawford entrou na casa dos portugueses, em horário nobre, para falar de temas que faziam corar muita gente — e que talvez ainda hoje deixem alguns desconfortáveis. As redes sociais ainda não faziam parte do nosso dia-a-dia, e ver uma mulher em directo na televisão a responder, com naturalidade, a perguntas sobre sexo oral, métodos contraceptivos ou disfunção eréctil tinha tudo para ser um escândalo. Mas a sexóloga conseguiu fazê-lo como poucos: com boa disposição e seriedade, tal como se apresentou neste episódio do podcast Um Género de Conversa. Psicóloga e terapeuta familiar, conhece como poucos os medos, os preconceitos e a falta de literacia que ainda rodeiam a sexualidade, mesmo nas gerações mais novas. “Ainda há muito pudor quanto ao prazer, independentemente da idade. Mesmo os jovens, que imaginamos que têm mais liberdade e acesso à informação, às vezes têm uma mentalidade mais retrógrada do que a minha avó. Aceitar fazer sexo sem vontade é um exemplo, como se fosse uma função da relação”, conta Marta Crawford. Nestes 50 minutos de conversa, a especialista explica que ainda há uma necessidade de corresponder a um padrão masculino em que “o prazer está centrado na penetração, num vai e vem que dá a maior das satisfações sexuais às mulheres”. Porém, desconstrói esse mito: “Não é de todo assim, o clítoris é que é uma super-heroína, tem mais de 10 mil terminações nervosas. Deve fazer parte de todo o jogo erótico e sexual, e não é um jeitinho que se dá, porque a mulher, coitadinha, precisa. É porque é uma fonte fundamental de prazer feminino.” A sexóloga aborda também alguns dos principais desafios do presente, desde “os problemas de performance” provocados pela pornografia, “que é a nova educação sexual”, até uma generalizada “crise profunda” da intimidade: “Essa partilha, essa honestidade estão cada vez mais difíceis. Os casais não conseguem comunicar.” Já sobre a pressão que ainda recai em tantas mulheres para voltarem à actividade sexual após o nascimento de um bebé, tantas vezes alimentada também pelos próprios profissionais de saúde, Marta Crawford é peremptória: “Dizer a alguém ‘tem de ir ao castigo’ é uma violência. Sexo sem disponibilidade mental não faz sentido”, frisa a sexóloga. “Em encontros com ginecologistas e obstetras, digo muitas vezes: ‘Vocês são responsáveis pela consulta após um mês do parto e por dizerem 'agora já podem ter sexo. E essa é a pior mensagem que podem passar. Digam antes: faça-o apenas quando se sentir preparada e comece com calma, nada muito exigente sexualmente’.”See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Sofia Aparício: "Se os governos falham, temos dever de tomar conta uns dos outros" 02.09.2025 43minAtriz, manequim, humanista, voz incansável na defesa dos direitos fundamentais: Sofia Aparício faz parte da mais recente missão da Flotilha Humanitária, que visa romper o cerco israelita a Gaza e entregar ajuda àquela população. Antes de embarcar, falou-nos não só sobre as suas inquietações quanto a esta viagem, mas também do que a motiva a envolver-se nas mais variadas demandas sociais enquanto cidadã e figura pública. See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Sara Larcher: "Temos de tratar do trauma colectivo?" 26.08.2025 53minLicenciada e mestre em Direito, e trabalhou durante mais de vinte anos em multinacionais. Porém, foi no estudo da mente e das emoções que encontrou o seu rumo, após se fartar da busca impossível pela perfeição na trindade mãe, mulher e profissional. Licenciou-se em Psicologia e há vários anos que é Terapeuta Integrativa e Sistémica. Pelo caminho lançou o best-seller “Eu Sou Porque Eles Foram” e mais recentemente o livro “Sara-te! - As Mulheres e o seu Legado Transgeracional”. See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Filipa Martins: "Não tinha capacidade para pagar uma renda de casa" 19.08.2025 43minFilipa Martins começou a competir na ginástica aos 4 anos de idade. Hoje, é considerada a segunda melhor ginasta da Europa, a primeira portuguesa a classificar-se para uma final de All Around nos Jogos Olímpicos e também é a única que tem um elemento com o seu nome. See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Maria João Faustino: "É o momento mais desafiador das nossas vidas" 12.08.2025 49minMaria João Faustino é doutorada em Psicologia pela Universidade de Auckland. Tem feito investigação sobre violência sexual e respetivas dinâmicas genderizadas. Há mais de dez anos que estuda estas questões e nesta conversa explica os tempos que estamos a viver. E deixa um recado: temos de resistir.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Bia Caboz: "O maior investimento que eu fiz foi na minha cara" 05.08.2025 47minBia Caboz é afilhada de Ana Moura no fado, mas o seu percurso musical é o da fusão musical. A sua persona artística levou-a a fazer cirurgias na cara e fala disso abertamente. Não esconde a sua ansiedade e o seu percurso feito com o apoio de muitas mulheres.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Tânia Ganho: "A violência sexual no digital vai chegar a todos, homens incluídos" 29.07.2025 55minNeste episódio gravado ao vivo na icónica livraria Buchholz, a escritora Tânia Ganho teve como ponto de partida o universo do seu último romance, “Lobos”. Com a coragem e a clareza que lhe são conhecidas, fala sobre as teias complexas da violência psicológica na intimidade, os perigos da adulteração de imagens no contexto digital, a perda do direito à privacidade e os malefícios de uma masculinidade assente em estereótipos físicos e de agressividade, que está a arrastar cada vez mais jovens para práticas que põem as suas vidas em risco.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Mariana van Zeller: "A maior vantagem da minha vida tem sido ser mulher" 22.07.2025 47minMuitos descrevem-na como uma “badass”, e não é para menos: Mariana van Zeller é a autora da série documental “Na Rota do Tráfico”, onde revela os segredos do submundo do crime. Vive há mais de vinte anos nos EUA, onde dá cartas no jornalismo de investigação, arrecada prémios – é vencedora de nove Emmys - e explora histórias que muitos consideram demasiado perigosas. Uma conversa que vai desde a perseguição aos imigrantes pela administração de Trump à gestão do medo em cenários de vida ou de morte, passando pela importância da conexão humana enquanto jornalista e ainda a vantagem que tem ao ser subestimada enquanto mulher quando aborda criminosos.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Irene Flunser Pimentel: "Já tive mais jeito para ficar calada" 15.07.2025 51minIrene Flunser Pimentel: historiadora, antifascista, defensora da democracia, a liberdade é o que a move. Estudou a PIDE, o Estado Novo, as manhas do regime de Salazar, ganhou o Prémio Pessoa e é criticada por muitos por ser demasiado assertiva. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre a possibilidade de já estarmos a viver uma terceira guerra mundial, pasma-se com o estado ”enlouquecido” da política nacional e internacional, aponta o dedo ao discurso anti-imigração e relembra como era a vida das mulheres na ditadura.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Célia Metrass: "Inveja do pénis? Nem deve dar jeito nenhum" 08.07.2025 53minCélia Metrass é uma figura histórica do feminismo Portugal. Foi co-fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres, o primeiro movimento pós-25 de Abril com enfoque na luta contra a discriminação de género, e escreveu o primeiro — e por mais de uma década o único — livro sobre aborto em Portugal, em co-autoria com Maria Teresa Horta e Helena de Sá Medeiros. Volvidos 50 anos, reflete sobre as ameaças a direitos femininos conquistados a pulso, como o da IVG, mas também sobre “o grande trambolhão” que os homens tiveram no que toca ao conceito de masculinidade.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Clarrise Machanguana: "Um mês após dar à luz já estava a jogar (na WNBA)" 01.07.2025 48minClarrise Machanguana foi a primeira moçambicana a conquistar a liga feminina de basquetebol dos Estados Unidos. Dentro do universo do desporto de alta competição, os obstáculos à maternidade, as disparidades salariais e a saúde mental levada ao limite são temas que conhece de cor. Quando deixou WNBA, criou uma fundação com o seu nome em Moçambique, e aí dedica-se a apoiar mulheres, jovens e crianças através da saúde, educação e desporto. Já ajudou mais de 25 mil pessoas, mas sente que continua tudo por fazer.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
Inês Marinho: "Tu agora és 'a porca'" 24.06.2025 44minInês Marinho viu a sua vida e intimidade violada através de imagens suas publicadas na Internet por alguém que lhe era próximo. Não é caso único: diariamente, em plataformas como o Telegram ou o Reditt, milhares de homens partilham, comentam e expõem mulheres sem o seu consentimento. A sociedade continua a ser permeável ao julgamento moral: eles, amiúde, são os garanhões, elas são “as porcas”. Inês decidiu combater isto e criou a associação Não Partilhes, onde lhe chegam pedidos de ajuda de mulheres, dos nove anos aos 60, vítimas de abuso através de imagens.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
“Os homens andaram a sustentar as mulheres? Essa é para rir.” 01.04.2025 48minInvestigadora, jurista, ex-Secretária de Estado para a Igualdade, Maria do Céu da Cunha Rego é uma figura histórica da luta pelas licenças de paternidade e a conciliação do trabalho, da família e da vida privada. Nascida no Alentejo, em 1950, soma prémios pelo relevante contributo da sua atividade profissional e cívica. Com um sentido de humor ímpar, continua a esmiuçar ideias feitas sobre o que é ser homem ou mulher ou quais os papéis prescritos pela sociedade para uns e outras.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
“Nove em cada dez mulheres autistas são violentadas, é assustador” 25.03.2025 51minSara Rocha é autista e uma voz forte na defesa dos direitos na deficiência, tanto em Portugal como a nível internacional. Nas redes sociais, não só publica informação empírica, como rebate ideias feitas e partilha as suas vivências pessoais. Fora da web, é Presidente da Associação Voz do Autista e trabalha na Escola de Medicina Clínica da Universidade de Cambridge. A criminalização da esterilização forçada de pessoas com deficiência é uma das suas maiores lutas, uma das múltiplas formas de violência a que principalmente as meninas e mulheres continuam a estar sujeitas em Portugal.See omnystudio.com/listener for privacy information. -
“O meu pai promoveu a minha auto estima” 18.03.2025 48minCatarina Rochinha é uma voz forte contra estereótipos de género, ativista pela positividade corporal e agitadora de consciências para a importância da diversidade. Não tem vergonha do seu corpo e pratica a aceitação do que vê ao espelho como um mantra diário. Nas redes sociais, despe-se de filtros e de preconceitos. Neste episódio, a conversa versa ideais de beleza, o policiamento aos corpos femininos, inclusive no seio da família, o peso de validação estética, o impacto do bullying e a importância de maior transparência por parte de quem produz conteúdos digitais (e não só).See omnystudio.com/listener for privacy information. -
"Demorei a perceber que fui violada" 11.03.2025 49minJoana Dias foi alvo de violência doméstica. Fala abertamente sobre o que viveu, como foi agredida, o que a limitou. A escritora, criadora de conteúdos e autora do podcast e da série “A Mim, Nunca”, não gosta da palavra vítima, mas reconhece que a cicatriz não sara com facilidade. Dez anos depois, ainda procura respostas. O livro, Nós, as indecentes, sendo ficção é um retrato que se constrói a partir da realidade vivida.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Oblíbený v
Tento podcast se objevuje také v podcastových žebříčcích těchto zemí.