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PÚBLICO
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P24 é um podcast diário do PÚBLICO que oferece um resumo das principais notícias de Portugal e do mundo, de segunda a sexta-feira às 7h. O programa é apresentado por jornalistas do jornal e tem como objetivo informar os ouvintes sobre os acontecimentos mais relevantes do dia.
Episod
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Estado da Nação: retrato de um país descontente que não vislumbra soluções políticas para melhorar 17.07.2026 15minNo debate desta quinta-feira do Estado da Nação, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, fez o que se esperava que fizesse. Deixou ao parlamento a sua visão positiva sobre o trabalho do Governo e garantiu que o país está a melhorar desde que assumiu o cargo. O seu problema maior, porém, está na sintonia entre o teor do seu discurso e a avaliação que os portugueses fazem das suas realizações. Ora, seguindo os dados da sondagem do CESOP, da Universidade Católica, para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, essa sintonia não existe. Pelo contrário, 79% dos inquiridos dizem que em 2026 o país está pior do que em 2025. E 12% acreditam que o maior problema com que Portugal se confronta hoje está na falta de liderança, ou inacção, do Governo. O debate do estado da nação acontece num momento particularmente difícil para o Governo. A confusão e incerteza que paira sobre o processo de avaliação dos exames nacionais do 11º e 12º ano, associado à digitalização das provas escritas em papel, geram apreensão a legitimam a sensação de que esta operação sensível não se fez com a prudência e o rigor devidos. Mas, não basta uma das estrelas do seu governo, o ministro da Educação, Fernando Alexandre estar a ser objecto de dúvidas e de críticas. O caso da casa de campo do ministro da administração interna, outra estrela da governação, promete ensombrar a mensagem positiva que Luís Montenegro se esforçou por deixar aos deputados e ao país. Apesar de todos estes constrangimentos, a AD aparece lado a lado com o PS nas intenções de voto caso houvesse por estes dias uma nova eleição. O que também não é um bom augúrio para José Luís Carneiro, nem para André Ventura, cujo partido, o Chega, recua para a terceira posição. Mas se este dado da sondagem nos sugere uma situação política bloqueada, deixa também sinais para o futuro pouco promissores. O Estado da Nação descreve-se, assim, com um estado de espírito de um país descontente que não vislumbra alternativas políticas para corrigir a situação. Uma sensação que se reforça quando dois terços dos inquiridos na sondagem afirmam que, apesar do descontentamento, o melhor mesmo é deixar o Governo cumprir o seu mandato. O que nos dizem estes números e o seu confronto com o natural optimismo de Montenegro? Oportunidade para uma conversa com João António, cientista político e director do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O Estado da Nação, entre as nuvens negras da oposição e o dia soalheiro do Governo 16.07.2026 18minEm Maio, o primeiro-ministro foi à Alemanha e deixou a uma plateia composta por investidores e figuras gradas da administração um retrato apolíneo do estado do país. Luís Montenegro falou de reformas, falou de estabilidade política e estabilidade social, falou das contas públicas em ordem, do défice à redução da dívida. Um país, portanto, que é a inveja da Europa. Não fora uma gafe, e o primeiro-ministro teria saído de Berlim como uma espécie de herói dos novos tempos da União Europeia. Por azar, no meio do seu discurso, disse Führer, uma palavra maldita, em vez de future, futuro. No regresso, Montenegro queixou-se de que em Portugal ninguém o valoriza como a rendida plateia que, disse ele, representava 80% da riqueza nacional da Alemanha. Faz parte. Quem governa reclama sempre para si e para os seus os louros que a oposição e uma parte, maior ou menor, da sociedade não reconhece. Hoje, no debate do Estado da Nação, essa divergência voltará a emergir. Ainda por cima quando dois dos seus mais importantes ministros, o da Educação e da Administração Interna, estão envolvidos em assuntos tóxicos para a sua popularidade e credibilidade, o caso dos exames de Fernando Alexandre e da casa de campo de Luís Neves. No que é possível medir, o Governo continua a dispor de contas públicas controladas. Não tão saudáveis como há três anos, mas, de facto, num plano invejável para a média europeia. O crescimento vai continuar, mas mais lento. O défice pode regressar, mas é moderado. O rendimento real das famílias cresceu. O desemprego continua a reduzir-se. Mas há números que dão argumentos à oposição: Montenegro herdou a melhor conjuntura financeira em muitas décadas e não a está a segurar. Junte-se a isto os problemas que se agravam na saúde ou, agora em especial, na educação, nos desafios para o futuro colocados pelo aumento da despesa na defesa nacional, nas polémicas inflacionadas da imigração, no tempo perdido na reforma laboral ou na situação internacional que causa ansiedade. E pergunte-se: em que estado está a nação? Entre a percepção e a realidade, a natural propaganda do discurso do Governo e o olhar, também naturalmente, negativo da oposição, quem está mais perto da verdade? Para aprofundar esta discussão, convidámos para conversar connosco neste episódio Isabel Flores, investigadora, doutorada em sociologia e políticas públicas e directora executiva do Instituto de Políticas Públicas e Sociais do ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa. O instituto que dirige acaba de publicar um estudo sobre o estado da nação, que pode conhecer em detalhe nas edições digital e impressa do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O caso dos exames não pára de acumular falhas 15.07.2026 15minO ministro da Educação desdobrou-se em garantias e em entrevistas às televisões para explicar um processo que correu mal e está a correr mal. Ontem, a história voltou a correr mal quando Fernando Alexandre constata que é preciso mais um dia para garantir que as avaliações são feitas de forma justa, sem erros, nem mais tropelias. No próprio dia em que, disse o ministro, 98% das provas estavam corrigidas, o PÚBLICO dava conta da crise de desconfiança que reinava entre os professores. E por simples dedução lógica, da desconfiança que se instalou entre milhares de alunos e pais. Com tantas falhas e tantas dúvidas até ao final do prazo do primeiro adiamento, ontem ao final da tarde, torna-se difícil acreditar que este processo pode ter um final feliz. Quando a horas do fecho do processo uma professora continuava sem saber como classificar respostas que não apareciam na íntegra na digitalização em que estava a trabalhar, torna-se mais difícil acreditar que num dia tudo fica devidamente resolvido. O ónus da prova está do lado do Ministério da Educação. Mesmo admitindo que o prazo para as avaliações fica fechado hoje, a crise dos exames deixará rastos. Na relação dos professores com a tutela política, na relação de alunos e pais com o sistema educativo, na dimensão da força política que Fernando Alexandre necessita para se manter à frente da educação em Portugal. A hora do balanço ainda não chegou. Até porque pode ser que o acesso dos alunos às suas provas sejam completamente isento de dúvidas e de erros, como pode ser que os últimos dias sejam esquecidos com o regresso à normalidade no concurso de acesso à universidade. Pode ser, mas dificilmente assim será. Vamos ver e perceber como é que alguém que tem seguido o processo muito de perto desde o seu começo analisa a presente situação. Vamos falar neste episódio com a Andreia Sanches, grande repórter do PÚBLICO particularmente dedicada a acompanhar para o jornal os assuntos da educação.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Aberto ou fechado? Como fica o estreito de Ormuz e a guerra no Irão entre os ziguezagues de Trump? 14.07.2026 11minAo início da noite de segunda-feira, Donald Trump prometia mais dois dias de ataques ao Irão e declarou o estreito de Ormuz como "aberto". Mas desta vez a abertura tem direito a portagem: 20% do valor sobre toda a carga passam a ir para os Estados Unidos, com a justificação de que os americanos vão guardar a segurança desta via marítima. Antes da guerra, nenhum navio pagava portagem para passar neste estreito. A guerra, que teve um cessar fogo há menos de um mês, voltou a ter bombardeamentos sucessivos num conflito sem fim aparente e que já está a fazer subir de novo o preço do petróleo. Neste P24, ouvimos o jornalista Pedro Guerreiro que habitualmente cobre a actualidade política dos Estados Unidos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O Livre quer ser o futuro da esquerda. Conseguirá? 13.07.2026 13min“O Livre é o futuro da esquerda, quer queiram, quer não queiram.” A frase é de Jorge Pinto, eleito este fim-de-semana porta-voz do Livre. O deputado sucede a Rui Tavares e junta-se a Isabel Mendes Lopes, que se mantém na mesma função. Num momento em que o Bloco de Esquerda procura recuperar de sucessivos recuos eleitorais e o PS tenta reencontrar-se na oposição, o Livre acredita que chegou a sua oportunidade. A ambição ficou clara ao longo do congresso. “Com esta equipa, vamos à conquista do poder”, afirmou Jorge Pinto. “Vai ser poder e vai ser poder já no próximo ciclo eleitoral.” Durante dois dias, em Sintra, o Livre procurou apresentar-se como uma “nova esquerda”. Criticou os “cheques em branco” do PS ao Governo, desafiou os socialistas a travarem uma eventual revisão constitucional apoiada pela direita e voltou a colocar a regionalização entre as suas prioridades políticas. Tudo isto acontece numa altura em que o Livre é um dos poucos partidos à esquerda a crescer eleitoralmente. Mas conseguirá transformar esse crescimento em poder político? E que lugar quer ocupar numa esquerda que continua à procura de se reinventar? Neste episódio do P24 analisamos o significado político do congresso do Livre e os desafios que o partido tem pela frente. O convidado é David Santiago, editor de Política do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Almada sem água: “Em 2026 não faz sentido a seca chegar às torneiras” 10.07.2026 15minHá vários dias que milhares de pessoas em Almada vivem com falhas no abastecimento de água. Há moradores que acordam sem saber se vão conseguir tomar banho, cozinhar ou simplesmente lavar a loiça. Há famílias a encher garrafões, baldes e recipientes sempre que a água volta às torneiras, numa corrida contra o tempo para garantir o essencial para o dia seguinte. O impacto também já chegou aos negócios. Restaurantes e cafés dizem não ter condições para funcionar normalmente. E a revolta de quem vive esta situação levou centenas de pessoas para a rua, a exigir respostas e soluções. Perante a gravidade da situação, a autarquia decretou o estado de alerta. Há restrições ao consumo, cortes nocturnos em várias localidades e um apelo para reduzir ao mínimo o uso de água. Numa mensagem dirigida à população, a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, admitiu a gravidade do problema: “A realidade é simples e difícil. Estamos a consumir muito mais água do que aquela que o sistema consegue repor.” A autarca revelou ainda que os reservatórios se encontram muito abaixo dos níveis considerados seguros: “Os reservatórios estão com 10% quando deviam estar próximos dos 60%, para garantir o funcionamento seguro da rede.” Mas, afinal, como é que um dos maiores concelhos da Área Metropolitana de Lisboa chegou a este ponto? Estamos perante um aumento excepcional do consumo, como defende a autarquia? Ou perante anos de falta de investimento, como acusam os partidos da oposição? O secretário-geral do PSD, Hugo Carneiro, responsabilizou a gestão municipal pela situação: “O que está a acontecer em Almada deve-se, sabe-se agora, a uma total falta de investimento nos últimos anos na rede de abastecimento e captação de água naquele concelho.” Neste episódio do P24, tentamos perceber o que está na origem desta crise, que riscos existem para o futuro e o que este caso revela sobre a gestão da água em Portugal. O convidado é Joaquim Poças Martins, professor universitário e especialista em recursos hídricos e sistemas de abastecimento de água.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Uber, táxi ou papá? 09.07.2026 19minÉ muito provável que os portugueses que têm hoje 24 ou 25 anos se lembrem bem deste anúncio e de certeza absoluta de muitos dos seus pais o recordam como uma espécie de libertação e alívio. O que estava em causa era uma pequena revolução. A UBER, ou a Bolt, estavam a chegar a Portugal prontas a mudar de fio a pavio a mobilidade urbana. No princípio, eram meia dúzia de carros, em Fevereiro deste ano contavam-se já 36.492 veículos conduzidos por 38.928 motoristas. No princípio desencadeou-se uma guerra azeda entre o sector do táxi e os serviços das plataformas, mas ontem a Assembleia da República aprovou uma lei que abre portas à taxicização da Uber ou, se preferirem, à boltização do táxi. A proposta aprovada com os votos do PSD e do Chega vai permitir que os táxis entrem nas plataformas da Uber. Quer dizer o seguinte: um dia alguém pede um Uber ou um Bolt, na plataforma chega a mensagem com a matrícula e o nome do condutor, só que em vez de um automóvel descaracterizado aparece um táxi normal. Nada que não exista em outros países. No Brasil, por exemplo, as aplicações permitem distinguir, entre outras opções, a modalidade conforto e táxi. De resto, no Porto a Bolt já teve um serviço que permitia ao cliente escolher um táxi. A lei aprovada não prevê qualquer distinção. A novidade está a causar preocupação e protesto aos motoristas da Uber e do serviço de táxi. Os primeiros porque vão ter mais concorrência por parte de uma classe que tem privilégios legais em relação a eles – o táxi é considerado serviço público. Os taxistas porque, quando estiverem ao serviço da Uber vão ter de aceitar ser iguais aos motoristas da Uber. Entre muitas outras mudanças aprovadas esta quarta-feira, o uso da língua portuguesa passa a ser obrigatório e a tarifa dinâmica, que faz os preços aumentar em função da procura, deixa de ter qualquer limite, como até agora. Haverá botões de segurança, haverá avaliação de clientes, entre outras alterações. Mas, a grande novidade está aí: a opção entre a Uber ou o papá conta agora com uma nova alternativa: o táxi. Vamos tentar perceber melhor o que está em causa e entender as razões dos incómodos manifestados pelos motoristas das plataformas em relação às mudanças da lei que vigorava desde 2018. Para o efeito convidámos para este episódio Ivo Fernandes, presidente da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados, que representa mais de 14 mil empresas do sector.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A NATO começa a ficar mais europeia, mas ainda precisa da América 08.07.2026 16minNa conferência inaugural da cimeira da NATO em Ancara, na Turquia, o secretário-geral da organização, Mark Rutte apresentou-se aos delegados dos estados membros com o seu proverbial optimismo. “Estamos à beira de uma nova revolução industrial no sector da defesa”, anunciou. A promessa dos europeus de aplicarem 5% do PIB na indústria e logística da guerra, avisou, está a dar resultados. Há novos aviões de transporte da Airbus a serem apresentados, há avanços na indústria de drones, onde a portuguesa Tekever dá cartas, há novas tecnologias da sueca SAAB capazes de substituir os sistemas de vigilância dos velhos aviões Awacs. Tudo boas notícias, portanto? Nem por isso. A cimeira de Ancara continua ensombrada por um espectro. O do abandono dos Estados Unidos do palco europeu, que está em curso. O maior problema desta opção, tem a ver com o tempo que resta para que a velha ordem da NATO e da defesa europeia possam dar origem a uma nova. Como escreveu esta terça-feira o New York Times, a maior ansiedade da Europa é saber se a transição para o que muitos chamam de NATO 3.0 vai acontecer o mais suavemente possível. E mesmo que não haja um ataque da Rússia antes de 2035, quando o colossal investimento europeu na defesa atingirá os tais 5% do PIB, uma NATO sem os americanos continua a ser difícil de conceber. Mesmo que as forças convencionais da Europa aumentem, um sistema eficaz de defesa do continente, dizem os especialistas, precisa da dissuasão nuclear americana. E da ultra sofisticação de muitas das suas armas. Suspensa destes dilemas, a cimeira de Ancara é mais um episódio do drama de um continente que parece uma criança que, de repente, deixou de contar com os braços protectores dos seus pais. Com a América fora, dizia o Financial Times, a Europa vê-se obrigada a pensar no impensável. Nas armas que ainda não tem para responder a um ataque russo ou nas armas que terá de desenvolver a partir de um buraco negro. Vale a pena apostar em tanques? O que se pode aprender com a extraordinária máquina de defesa ucraniana de drones? Em que medida se poderá acreditar que os americanos poderão, ao menos, fazer o que a cavalaria fazia nos filmes de cowboys, como sugere o ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, Radoslaw Sikorsky? Nestes tempos de incerteza, as perguntas abundam e as respostas vão proliferando. A Rita Siza, correspondente do PÚBLICO em Bruxelas está em Ancara a cobrir a cimeira da NATO e, por isso, está em condições ideais para nos ajudar a entender o que se passa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A corte de Roberto Martínez está fora do Mundial. Estava escrito nas estrelas 07.07.2026 18minÀ partida, poucos portugueses acreditavam que a selecção nacional fosse capaz de resistir à máquina trituradora da Espanha. Mas a selecção contrariou as piores previsões e resistiu. Pelo menos até ao momento em que o jogo exigia respostas vindas do banco. Respostas que implicavam frescura física, força moral e determinação para equilibrar o crescente ascendente da Espanha. Não veio essa resposta e Portugal sucumbiu. Não porque se ficasse com a sensação de que a equipa nacional era claramente inferior aos seus adversários. Sucumbiu principalmente porque lhe faltou um líder capaz de lhe incutir determinação, vigor e coragem para acreditar que a vitória estava, como esteve na primeira parte, ao seu alcance. Faltou-lhe um treinador. Como a generalidade dos especialistas, jornalistas ou treinadores, tinham avisado, a selecção estava viciada numa escolha de onze jogadores que não se explicava pela sua forma, mas pelo seu estatuto. Neste jogo com a Espanha, o aviso fez mais sentido do que nunca. Como se em causa estivesse uma corte de nobres, havia duques e marqueses com lugar garantido à mesa do rei, mesmo que estivessem fora de forma ou mesmo que o seu desgaste fosse mais do que evidente. Ao insistir em Ronaldo todo o jogo ou num Bruno Fernandes claramente abaixo do que vale, Roberto Martínez subverteu por completo a noção do mérito e da justiça relativa que fazem a coesão das equipas. Não, Portugal não jogou mal. Mas não merecia a vitória, como não mereceu mais do que o empate frente à Colômbia ou ao Congo. Da mesma forma, Cristiano Ronaldo, que com 41 anos viveu o seu último mundial, não merecia esta exposição que tornou claro aos olhos do mundo o seu natural declínio físico – como nós, é um ser humano. Jogar todos os jogos até ao fim, com excepção do jogo com a Croácia, foi um castigo que o treinador lhe impôs. Já tinha acontecido no Catar e aconteceu contra a Croácia: Gonçalo Ramos só não jogou este jogo porque Portugal não tinha um treinador. Portugal merecia mais, porque tem jogadores de qualidade mundial – Diogo Costa, merece especial menção neste Mundial. Os que foram à América e outros que só não foram, lá está, porque Martínez escolheu não uma equipa de futebol, mas uma corte de nobres fechada. Felizmente para Portugal, Martínez vai embora. Depois de ter enterrado uma das melhores selecções da Bélgica, enterra uma geração de ouro do futebol nacional. Que tenha sorte na Arábia, onde as sheiks e os próximos da casa de saud têm lugar garantido à mesa do rei. Mas vamos tentar saber o que aconteceu com quem sabe mesmo de bola. Com o Nuno Sousa, um dos editores de Desporto do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Porque está a falhar a CP na antecâmara da liberalização dos comboios suburbanos? 06.07.2026 19minNeste episódio do P24, analisamos o momento de profunda transformação (e de crise) que atravessa o sector ferroviário em Portugal. Com a ajuda do jornalista do PÚBLICO Carlos Cipriano, especialista em ferrovia, partimos de um fim-de-semana marcado por supressões relacionadas com as falhas no ar condicionado dos comboios e críticas ao "estado miserável" da CP para compreender as causas estruturais por trás das supressões e da falta de manutenção. Mas nem tudo são más notícias: a 19 de Julho entra ao serviço a electrificação total da Linha do Algarve, que vai permitir viagens directas entre Lagos e Vila Real de Santo António, eliminando os históricos transbordos em Faro, embora ainda persistam limitações físicas em pontes antigas que impedem a passagem do serviço Intercidades. A conversa detalha também as expectativas em torno dos novos comboios encomendados à Stadler e à Alstom. Outro tema central deste P24 dedicado à ferrovia é o plano do Governo para a liberalização e subconcessão de linhas suburbanas estratégicas, como a de Cascais, Sintra e Azambuja e a rede de suburbanos do Porto, um processo ainda envolto em secretismo que poderá levar operadores privados a gerir estes serviços sob a marca CP.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A América faz anos e merece os parabéns, apesar dos desgostos que nos dá 03.07.2026 20minNo dia 4 de Julho de 1776, cumprem-se neste sábado 250 anos, um novo país nascia no outro lado do Atlântico. Representantes das 13 colónias britânicas da América do Norte tinham chegado à conclusão de que não podiam continuar dependentes do poder político com sede em Londres. Numa reunião histórica em Filadélfia, declararam a independência dos Estados Unidos da América, celebraram com vinho Madeira e, anos mais tarde, aprovaram uma Constituição que trouxe novos horizontes à relação entre a soberania do povo e os seus representantes. Nada seria como antes depois desse texto fundamental. Ao atribuir a nós, o povo, a origem do poder político, os constituintes americanos abriram portas a novas formas de Governo, um governo do povo, pelo povo e para o povo. Pelo caminho, recusaram o direito divino dos reis ou toda e qualquer forma de autocracia ou oligarquia. Ao longo destes 250 anos, nem todas as premissas do espírito da revolução americana foram cumpridas. A sua história é, e continua a ser, marcada por episódios de violência e de negação do princípio segundo o qual todos somos iguais perante a lei. A declaração dos direitos do homem foi demasiadas vezes contestada em abusos do poder, em assassinatos políticos ou numa guerra civil que teve o esclavagismo como causa. Mas, apesar de todas as vicissitudes, a América tornar-se-ia um farol da liberdade, dos direitos individuais e do equilíbrio dos poderes. A plenitude dos direitos civis entre brancos e negros demorou quase 200 anos a ser conseguida, mas para milhões de seres humanos, o sonho americano tornou-se um farol e um propósito. O país onde todos tinham possibilidade de acreditar que a sua origem social era um ponto de partida, não uma condenação. Muitos desses valores democráticos e liberais estão hoje particularmente em causa com a administração Trump. O poder político ingere no poder judicial. A oligarquia firma os seus interesses por oposição ao interesse geral. O ideal de liberdade, de estabilidade do sistema do direito internacional, conquistado em grande parte pelos Estados Unidos, está ameaçado. Mas não é com um abalo que as conquistas da revolução de há 250 anos ficam destruídas. Nas manifestações de rua o mote é ainda "no kings", não há reis. Há juízes, universidades e políticos que resistem. A América liberal luta. Vamos discutir estes e outros temas com um reconhecido especialista em Direito Internacional. Chama-se Azeredo Lopes e é professor no Centro Regional Norte da Universidade Católica.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O Governo vai chumbar nos exames do secundário? 02.07.2026 15minOs exames nacionais do ensino secundário não estão a correr bem ao Governo. A primeira polémica ocorreu com a utilização no exame de Português de um cartoon, sobre o qual os alunos deveriam fazer uma apreciação crítica, que já tinha sido publicado num manual de preparação para exames da editora Leya. A credibilidade da prova de acesso ao ensino superior foi posta em causa e a Inspecção-geral da Educação e Ciência concluiu ter existido uma “falha objectiva” na sua elaboração. A seguir, surgiram outros problemas, relacionados com a correcção digital dos exames. Os professores que classificam os testes começaram a relatar dificuldades técnicas na plataforma utilizada, pela primeira vez, este ano: exames incompletos, páginas trocadas entre disciplinas diferentes, respostas não digitalizadas, atrasos no acesso às provas e convocatórias de docentes para disciplinas que não leccionam. O ministro da Educação admitiu algumas “dificuldades técnicas” e deu como exemplo o facto de as escolas agrafarem, indevidamente, as folhas de resposta dos alunos. Ontem, no parlamento, Fernando Alexandre garantiu que os prazos serão cumpridos e que nenhum aluno será prejudicado. Carlos Louro, presidente interino da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Estamos preparados para Verões cada vez mais quentes e noites tropicais? 01.07.2026 15minO mês de Julho em Portugal continental começou com uma vaga de calor que promete ser longa. As temperaturas estão acima da média, as ondas de calor são cada vez mais intensas e o planeta vai continuar a aquecer todos os anos. Especialistas afirmam que já não é possível voltar atrás e que estamos ainda num processo de aquecimento e não numa fase de estabilidade. Na prática, estamos a entrar num tempo em que o calor deixará de ser uma excepção e passará a ser uma condição permanente da nossa vida quotidiana. Dito isto, preparemo-nos. No Alentejo, a fasquia dos 40 graus Celsius será superada a partir de quarta-feira, sendo que as temperaturas mais elevadas se deverão estender a outras regiões do país no fim-de-semana. E prepare-se, também, para as noites tropicais, com as temperaturas mínimas a oscilar entre os 12º.C e os 17º.C, prevendo-se que ultrapasse, nestes dias, os 20.ºC no interior. Porque é que Portugal tem estado relativamente mais protegido do que outras zonas da Europa? Que papel desempenha o Atlântico? E até que ponto estamos preparados para suportar Verões mais quentes, noites tropicais e períodos prolongados de desconforto térmico? O convidado deste episódio é Miguel Miranda, ex-presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, entre 2013 e 2023.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Mau sinal: este ano não vai haver mais cortes adicionais no IRS 30.06.2026 19minHá cerca de um mês, Luís Montenegro fez uma viagem no tempo, recuou ao longínquo dia 28 de Setembro de 1992 e recuperou uma tese de Braga de Macedo, então ministro das Finanças, que ficou para a História: Portugal é um oásis no deserto aflitivo das contas públicas da Europa. Em bom rigor, há um mês atrás a declaração de Montenegro soava a optimismo exagerado, mas ninguém punha em causa a excelente saúde das finanças do Estado. Mas num mês acontece muita coisa e talvez não seja má ideia voltar atrás e deixar uma pergunta: se fosse hoje, o primeiro-ministro teria o mesmo arrojo em pintar um quadro tão favorável. Talvez não. Vamos a factos: No primeiro trimestre do ano, as contas públicas registaram um défice de 0,7% do PIB. Ou seja, a diferença entre o que o estado arrecadou e o que gastou nesse período foi negativa em 510 milhões de euros. Foi a primeira vez desde 2022 que Portugal iniciou um ano com um défice orçamental no primeiro trimestre. Depois, no futuro próximo, a recuperação será difícil. Há um consenso nas organizações internacionais de que o crescimento do produto em Portugal será menor do que o esperado pelo Governo. Ou seja, acabaram as folgas para cortes adicionais no IRS como nos últimos anos. E, a acreditar no ex-governador de Portugal, Mário Centeno, Portugal não cumpre desde 2024 as regras financeiras da União Europeia. Daqui a dois anos, terá de fazer um corte de 12 mil milhões de euros ao que gasta, diz o economista. Mas, talvez ainda mais preocupante que estes sinais da conjuntura, são os dados de fundo da economia portuguesa. As exportações portuguesas, que na era da "troika" passaram de 30 para 49,5% do PIB, estão a recuar. Hoje representam cerca de 43,5% do produto. E, mais desanimador ainda, ou para usar a expressão do director da faculdade de economia do Porto, Óscar Afonso, um ‘murro no estômago’ da Nação, soubemos na semana passada que somos 11,4 milhões de pessoas, não os 10,6 milhões, número que usávamos para calcular a riqueza nacional. O bolo pode crescer um pouquinho, mas é certo entre os economistas que a riqueza dos portugueses em comparação com a média da União Europeia coloca-nos numa situação deplorável. Em vez dos 81,3% de riqueza da média europeia, estamos agora com os novos dados da população em 77%, nas contas de Óscar Afonso. Ou seja somos o sexto país mais pobre em rendimento per capita dos 27 Estados Membros da União. Caímos na realidade? O discurso do oásis que os governos de António Costa e Luís Montenegro nos andavam a vender não passaram de propaganda? Oportunidade para falarmos com Ricardo Arroja, economista, académico, ex-presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e colunista do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Imigrantes dos PALOP entram e sul-asiáticos saem 29.06.2026 15minO número de imigrantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) está a crescer e o número de imigrantes do sul da Ásia a diminuir. Os dados do Instituto Nacional de Estatística sobre a população estrangeira residente, e regularizada nos últimos cinco, anos mostra que Angola acrescentou mais de 70 mil residentes e que se tornou na segunda maior nacionalidade estrangeira em Portugal. Como pode ler no PÚBLICO de hoje, o crescimento dos cidadãos dos PALOP não se resume a Angola. São Tomé e Príncipe e Moçambique apresentaram as maiores taxas de crescimento, acima dos 200%. São Tomé e Príncipe quase quadruplicou, de cerca de 13 mil para mais de 46 mil cidadãos, e Moçambique passou de pouco mais de cinco mil para mais de 17 mil cidadãos registados. Os dois blocos de residentes — PALOP e Sul da Ásia (Índia, Nepal, Bangladesh e Paquistão) — cresceram quase ao mesmo ritmo entre 2021 e 2025, ou seja, na ordem dos 160%. Mas começaram a divergir em 2025. O aumento do custo de vida e o fim de manifestação de interesse têm alguma responsabilidade nisso? Joana Gorjão Henriques, jornalista do PÚBLICO, especializada nos temas da imigração, é a convidada deste episódio e responde a estas e a outras questões.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Nancy Gomes: “Vamos ter problemas para perceber a dimensão desta catástrofe na Venezuela” 26.06.2026 16minA terra tremeu na Venezuela. Dois sismos, quase em simultâneo, de magnitude superior a 7 na escala de Ritcher, derrubaram edifícios em várias cidades e provocaram, até ao momento, quase duas centenas de mortos e desalojaram milhares de pessoas. O ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou a morte, pelo menos, de um cidadão português, que foi retirado com vida dos escombros, mas que morreu a caminho do hospital, e o desaparecimento de outros quatro. O número real de vítimas deve ser bastante mais elevado. Segundo estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos, há uma forte probabilidade de que venham a ser registadas mais de dez mil vítimas mortais. A ONU está a coordenar “o envio rápido de equipas de busca e salvamento urbano”, vindas de todas as partes do mundo. Portugal vai enviar uma equipa de 53 profissionais de emergência médica e salvamento e a Comissão Europeia activou o Mecanismo de Protecção Civil da União Europeia para responder de forma coordenada. A convidada deste episódio é a lusovenezuelana Nancy Gomes, professora na Universidade Autónoma de Lisboa, onde lecciona e coordena a Cátedra de Estudos Iberoamericanos. Nancy Gomes, que lançou, ontem, o livro Venezuela, país em Suspenso, considera que será difícil perceber a "verdadeira dimensão desta catástrofe".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A nova prestação social única negociada entre PSD e PS deixa os imigrantes em paz 25.06.2026 16minEm Houston, nos Estados Unidos, às portas do estádio onde Portugal ia jogar, o primeiro-ministro pediu espírito de equipa para se garantir a aprovação da Prestação Social Única. Compreende-se o pedido. O Governo foi na semana passada surpreendido com o chumbo da legislação laboral e tinha de evitar a todo o custo uma nova derrota. Até porque há prazos rígidos para se evitar a perda de cerca de 600 milhões de euros, uma penalização inscrita no acordo do PRR. Só que, para que esse espírito de equipa fosse garantido, era obrigatório superar barreiras políticas sensíveis. Como é hábito, o Chega não perdia a oportunidade de voltar a atacar os imigrantes, colocando o Governo numa situação passível de inconstitucionalidade. E o PS colocava obstáculos no plano dos princípios que pareciam comprometer a negociação. No final, porém, tudo acabou em bem. O espírito de equipa entre as bancadas parlamentares do PSD e do PS conseguiu desenvolver um processo negocial que viabiliza a prestação social única. Quem ganhou e quem perdeu? Ambos. Como é apanágio das boas negociações O PS consegue travar o canal de denúncias e limitar o trabalho social, uma obrigação da primeira versão da lei. Os que recebem a prestação podem ser obrigados a trabalhar em serviços sociais ou de utilidade pública, mas agora no âmbito de contratos de inserção. Teses importantes do Governo, como o reforço do escrutínio e dos meios de combate à fraude, também constam na versão final que vai a votos esta quinta-feira. Fora do acordo fica a exigência do Chega em deixar os imigrantes fora do alcance das prestações sociais durante cinco anos. Um acordo possível, moderado, melhor que a versão inicial? Oportunidade para falarmos com Paula Campos Pinto, Doutorada em Sociologia, Professora Associada no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade de Lisboa, onde fundou e coordena o Observatório da Deficiência e Direitos Humanos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Porque falha Portugal no combate à violência doméstica? 24.06.2026 15minApesar das sucessivas campanhas e de uma legislação considerada vanguardista, Portugal continua a falhar no tempo de resposta às vítimas de violência doméstica. O cenário é recorrente: denúncias que esbarram numa justiça morosa, com inquéritos longos e decisões que podem tardar anos a chegar. Esta justiça tardia não é apenas uma questão de calendário. Para quem vive sob ameaça, o tempo da justiça raramente coincide com o tempo para uma saída em segurança. Nos últimos dias somaram-se mais dois casos que mostram que, apesar das denúncias, nem sempre as vítimas conseguem a protecção de que precisam. A falta de articulação entre autoridades e a aplicação de forma predominante de penas suspensas alimenta um sentimento de impunidade que, no limite, desencoraja a denúncia e deixa as vítimas numa situação de vulnerabilidade acrescida. Neste P24 olhamos para o flagelo da violência doméstica. Para nos ajudar a compreender este fenómeno, falamos com investigadora do CISC.NOVA, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Elisabete Brasil. A investigadora encontra-se actualmente a desenvolver o seu doutoramento com a tese sobre "A Percepção do Impacto das Políticas Públicas na área da Violência Doméstica em Portugal".See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A demissão de Keir Starmer, entre o fracasso, o altruísmo e um país ansioso e descrente 23.06.2026 14minNa política contemporânea ainda há lugar para surpresas que nos convidam a discutir temas em desuso. Como o desprendimento, o empenho no interesse nacional, o serviço público ou o respeito pelas regras da democracia nos partidos. Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, demitiu-se ontem e no seu discurso, do qual ouvimos uma pequena parte, estão elencadas muitas destas questões. No essencial, porém, o que ele disse aos seus concidadãos e ao mundo é que deixara de ser a pessoa indicada para dirigir o Partido Trabalhista nas suas próximas batalhas. Que era incapaz de se manter em funções. E disse também que chegara a essa conclusão depois de medir o grau de aprovação dos seus deputados ao seu mandato como líder partidário e como primeiro-ministro. É cada vez mais raro haver gestos destes na política. Starmer teve 718 dias de mandato em Downing Street. Falta ainda muito tempo para acabar a legislatura. Mas esse muito tempo ia obriga-lo a um combate político com os seus deputados e líderes partidários que não seria bom para ninguém – até para ele, que se arriscava a perder essa batalha. Como muitos analistas observaram, Keir Starmer não foi um bom primeiro ministro: falhou muitas das suas metas e revelou-se como um líder sem clareza de propósitos e com falta de uma visão e propostas assumidas para o seu país. Depois da derrota das autárquicas em Maio, sabia que jamais seria capaz de restaurar a sua autoridade no partido ou a sua liderança no país. Tratou por isso de esperar que um dos seus rivais declarados, o ex-presidente da Câmara de Manchester, Kenny Burnham, fosse eleito para o parlamento, o que aconteceu na passada quinta-feira, para entregar os destinos do parlamento e do governo aos membros do seu partido. Em Setembro, os trabalhistas e o Reino Unido terão um novo homem no leme. Faz pouco sentido avaliar se Starmer fez o que pôde, ou se podia fazer mais. Mais importante é notar que o Reino Unido consumiu o seu sexto primeiro-ministro em dez anos. Que, depois de resistir às vagas do extremismo europeu dos anos de 1920, o país está ameaçado pela extrema-direita de Farage. Ou que os custos do Brexit, cujo referendo aconteceu faz hoje dez anos, são cada vez mais assombrosos. O que se passa no Reino Unido? Tema para uma conversa com o jornalista António Saraiva Lima. O António é jornalista da equipa do internacional do PÚBLICO e acompanha com particular proximidade o noticiário do Reino Unido.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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F-35, Gripen ou Eurofighter? Está na altura de comprar europeu? 22.06.2026 17minHá 30 anos que a Força Aérea não renova a sua frota de caças. Há várias opções de substituição dos F-16. Os norte-americanos da Lockheed Martin, com os F-36, são os preferidos dos militares portugueses, por acharem que isso permite melhor integração com os países aliados: até 2035, haverá cerca de 700 aparelhos no continente europeu, entre 12 membros da NATO, para além dos EUA e do Canadá. Um estudo interno da FAP coloca o F-35 à frente da concorrência, segundo 20 critérios técnicos como a letalidade, sobrevivência, furtividade ou conectividade. Os F-35 vão competir com o Gripen E/F, da sueca Saab, que quer incluir a indústria nacional na sua produção, e o Eurofighter Typhonn, do consórcio liderado pela Airbus. Mas, como disse o ministro da Defesa, Nuno Melo, a opção não será apenas técnica, porque a encomenda também obedecerá a critérios políticos. A Europa, o Atlântico, ou as duas dimensões em simultâneo? Com a decisão de substituir os F-16, Portugal regressa a esse dilema, num contexto de distanciamento entre os aliados europeus e a Casa Branca. A substituição dos F-16, um negócio que rondará os 2% do PIB nacional, é o tema da conversa com Pedro Guerreiro, jornalista e editor online do PÚBLICO, o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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