Lavando Louça com Sócrates
Prof. Yuri Sócrates
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Lavando Louça com Sócrates é um podcast que, desde 2021, cruza filosofia e literatura para refletir sobre a existência e seus absurdos cotidianos. Conduzido por Yuri Sócrates, filósofo, historiador e professor, o programa propõe um pensamento em estado bruto, sem promessas de sentido. Entre pratos, copos e crises existenciais, ele convida a mergulhos profundos nos dramas e nas banalidades da vida.
Epizode
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"Tempo livre", por Theodor Adorno 15.09.2026 29minVocê sabe ser livre durante o seu tempo livre? Ou será que o seu tempo livre está condicionado diretamente pelo seu trabalho e outras funções sociais que desempenha? Esta é uma das questões abordadas pelo filósofo Theodor Adorno, da Escola de Frankfurt, no ensaio "Tempo livre", de 1969. Aprecie a leitura e reflita sobre esse tema, ainda mais premente nos dias de hoje do que na década de 60.Apoie o Lavando Louça com Sócrates através da página apoia.se/yuri_socrates. Devaneios filosóficos semanais, para martelar as nossas falsas certezas. -
Anestesiados 08.09.2026 30minO livro que você amava parece não encantar tanto. A música que inspirava parece não surtir mais efeito. As séries que assistia parecem ser arrastadas demais. E você não está necessariamente triste, muito menos feliz. Você está anestesiado por um excesso de informações que entorpecem e afastam do silêncio, do tédio e do vazio essencial. Como sentir algo em um mundo devorado pelo consumo e pelo entretenimento rápidos? Saia da sua anestesia comigo, com David Foster Wallace e com Ailton Krenak. Apoie o Lavando Louça com Sócrates através da página apoia.se/yuri_socrates. Devaneios filosóficos semanais, para martelar as nossas falsas certezas. -
"O artista e seu tempo", por Albert Camus 01.09.2026 50minHoje trago para vocês a leitura de um discurso intenso de Albert Camus, proferido em 1957, na ocasião da cerimônia do Prêmio Nobel de literatura. Intitulada "O artista e seu tempo", a fala do filosófo reflete criticamente o papel do artista e da arte em um mundo fraturado por disputas, conflitos e opressões. Aproveitem o momento e mergulhem em mais uma belíssima passagem do pensador absurdista.E se você quiser apoiar o Lavando Louça com Sócrates, acesse apoia.se/yuri_socrates e venha comigo para a construção da nossa comunidade filosófica! -
Penumbras 24.08.2026 29minQuanto você mostra de quem você é no seu cotidiano? Quanto você conhece do outro? No mundo do panóptico digital, em que todos nos observamos mutuamente, há pouco espaço para a sombra e para a penumbra. Mas o que seria da vida sem estes espaços de recesso, de silêncio e de introspecção? Para o escritor Junichiro Tanizaki a sombra é o espaço do erótico, do desejo e da curiosidade, mas em um mundo tomado pela luz nossas mentes, histórias e "eus" atrofiam em um inferno de exposição. -
"Pense na lagosta", por David Foster Wallace 15.08.2026 53minO que o hábito alimentar pode revelar sobre a moralidade de uma pessoa ou de um povo? Como nós, humanos, conseguimos suspender tão habilmente nossos juízos e desconfortos em favor do prazer, do divertimento e, inclusive, do paladar? Essas são algumas das provocações levantadas pelo escritor David Foster Wallace em seus ensaio "Pense na lagosta", em que registra e problematiza suas impressões sobre o Festival da Lagosta de Maine. O texto, lido aqui na íntegra, levanta questões éticas e estéticas profundas, capazes de incomodar a forma como, com tanta facilidade, julgamo-nos superiores a outros seres e manipulamos nossas próprias mentes a bel prazer. -
O futuro deste podcast 07.08.2026 33minTudo muda. O mundo mudou. Eu mudei. O podcast também. Espero que pra melhor. A jornada do "Lavando Louça com Sócrates" começou há cinco anos e não tem prazo para terminar, ainda que tudo no universo acabe um dia. Mas chegou a hora de trazer mudanças para este espaço que carrega tanto de quem sou. O objetivo, na realidade, é que este programa tenha ainda mais da minha pessoalidade, crises existenciais e devaneios. -
Da caverna de Platão às cavernas de aço 09.06.2026 28minA comunicação digital nos aprisiona mais do que liberda. As mídias modernas, apesar de suas infinitas possibilidades, limitam nossos conhecimentos e visões de mundo mais do que ampliam. Em outras palavras, da antiguidade clássica aos dias de hoje, nossas tecnologias mudaram e, com elas, modernizamos nossas cavernas: de antigas cavernas de pedras, passamos a habitar as cavernas de aço. Algo, porém, não mudou, pois seguimos reféns das projeções disformes que alimentam nossos imaginários. Hoje as louças serão lavadas na companhia de três titãs do conhecimento humano: Platão, Isaac Asimov e Carl Sagan, que, em suas realidades, apresentam pequenas tochas, velas e lanternas que podem, de alguma forma, iluminar a escuridão da ignorância. -
O ruído constante e a erosão do ser 29.05.2026 29minVivemos em uma era de excessos: sons, lugares, objetos, informações e muito mais. Tudo isso gera um ruído constante que abafa o pensamento e anestesia o sujeito. Alimentados apenas por impulsos emocionais e fugazes, dedicamo-nos cada vez menos ao silêncio e à introspeção. O ser é erodido em nome do ter e, principalmente, do parecer. Neste “Enxame”, como define Byung-Chul Han, perdemo-nos a nós mesmos. -
A personalidade autoritária, parte II 01.04.2026 29minO autoritarismo não tem um endereço fixo, até porque não se limita a um ou outro indivíduo. O autoritarismo dialogo, a todo instante, com a subjetividade humana e, principalmente, com a dificuldade que tantas pessoas possuem de se voltar a si mesmas contemplativamente, de compreender as origens e as consequências de seus pensamentos e comportamentos. Pois bem, venha comigo e com Adorno para a segunda parte do estudo sobre as conexões entre o autoritarismo e a psiquê humana. -
A personalidade autoritária, parte I 24.03.2026 42minEm 1950 o filósofo Theodor Adorno publicou a obra "A personalidade autoritária", em que refletia, à luz de filosofia, sociologia e psicologia, os traços e comportamentos característicos de líderes autoritários e, principalmente, de seus apoiadores. O fenômeno do autoritarismo, para Adorno, não se limita a uma sociedade ou a aum período histórico, mas se desenvolve em espaços e momentos variados. Nesta série de dois episódios exploro "os 9 traços da personalidade autoritária", como se apresentam e como impactam socialmente. -
IAs não produzem arte 10.03.2026 29minO ser humano conhece a si mesmo quando está em contato com o outro. É do outro que chega o "não", que chega o conselho, que chega o desconforto. É o outro, em sua alteridade, que desperta o interesse, a curiosidade e o desejo. As artes, historicamente, são marcadas pela alteridade: trazem discussões, críticas, reflexões que instigam (e até machucam) seus leitores e/ou apreciadores. Mas e as IAs? As IAs não provocam, pois apenas concordam. Não instigam, pois apenas reproduzem o igual. De Platão e Aristóteles até os dias de hoje, bora lavar louças. -
A vida não é um projeto 10.02.2026 28minQual a sua relação com a palavra “desistir”? Vivemos em uma época em que desistir soa como falha moral. Uma sociedade do desempenho, onde tudo precisa virar projeto, meta e entrega. inclusive a própria vida. Neste episódio eu te convido a pensar comigo: e se o problema não for desistir, mas insistir demais em um projeto de felicidade que nos esgota? Entre o cansaço de existir, o peso do olhar do outro e a obrigação de “dar certo”, devaneamos hoje com Byung-Chul Han, Jean-Paul Sartre e Albert Camus sobre o Zeitgeist contemporâneo: esse espírito do tempo que promete realização, mas frequentemente entrega dor, culpa e exaustão. Talvez a vida não seja um projeto. Talvez ela só precise ser vivida. -
A vida precisa de pausas 03.02.2026 30minÉ comum vivermos de função em função, de reunião em reunião, de tarefa em tarefa, de semáforo em semáforo. E nesta pressa, nesta fluidez do mundo moderno, estrangulamos aqueles pequenos rituais que dão estabilidade à vida e às nossas identidades. A vida moderna, segundo Byung Chul Han, é uma vida sem entremeios, sem pausas, sem silêncio e sem introspecção. Por isso, passe um café, coloque os fones, estique os pés para a frente e descelere comigo e Han neste episódio, o primeiro de 2026. -
Medo da morte, medo da vida 08.11.2025 29minNo episódio de hoje mergulhamos em uma reflexão filosófica que atravessa séculos: a eterna discussão entre viver com qualidade ou simplesmente acumular tempo de vida. Neste diálogo, confrontamos a pergunta: do que você tem mais medo? De morrer ou de viver como se estivesse morto? Venha explorar comigo as ideias de Michel Foucault sobre a docilização dos corpos (e como esta prática pode nos levar a uma perda qualitativa da vida) e de Theodor Adorno, sobre como o tempo livre e até o lazer podem ser colonizados pela lógica da produção. -
Existencialismo, parte V: um baile de máscaras 28.08.2025 33minFoi uma longa jornada: da razão kantiana à revolta camusiana. Da crença no progresso à erosão do sentido e ao anúncio de uma liberdade radical. Em nosso cotidiano seguimos fazendo os gestos da existência: somos funções, carreiras, amigos, filhos e muitos outros personagens. Mas quem somos nós? Quem somos, além de nossos nomes, sobrenomes ou currículos? Há algum momento em que nos autorizamos a uma experiência pura da existência, desvinculada de adjetivos ou reflexões? Ou somos reféns constantes desde baile de máscaras que chamamos de sociedade? Hoje nossos devaneios são com alguns nomes novos neste podcast, porém não menos impactantes: Nishida Kitarō, Keiji Nishitani, Yukio Mishima e Osamu Dazai. Apreciem sem moderação! -
Existencialismo, parte IV: filosofia dos limites 19.08.2025 43minO que significa ser livre? A liberdade tem limites? Se sim, de onde surgem os limites? São exteriores ou interiores à pessoa? Constatar que "a existência precede a essência" é um passo para a liberdade, mas quais os custos reais de ser livre? A filosofia existencialista culmina em uma filosofia dos limites: reconhecer a própria liberdade é entender as consequências das próprias escolhas e ser capaz de limitar a si mesmo. Mergulhemos juntos na filosofia do absurdo, de Albert Camus, refletida a partir do principal impulso à liberdade humana: a revolta. -
Existencialismo, parte III: a existência precede a essência 21.07.2025 39minO copo que você está usando tem um propósito: ele deve levar líquidos até você. E se você utilizá-lo como arma, como peso de papel ou como vaso, ele seguirá tendo um propósito pré-determinado. Mas e você? Qual o seu propósito? Você possui uma essência ou você simplesmente existe, sem um sentido objetivo? Para Jean Paul Sartre, “a existência precede a essência”. Venha comigo para a terceira parte da série Existencialismo, em que exploraremos os pensamentos de Sartre e Simone de Beauvoir à luz da fenomenologia do século XX. -
Existencialismo, parte II: e se a vida não tiver sentido? 01.07.2025 45minA pergunta não é “qual o sentido da vida?”, mas “e se a vida não tiver um sentido?” Diante desta pergunta existe uma certeza: a angústia. Este desconforto que habita cada um de nós e que parece nunca silenciar. Neste episódio, a segunda parte da série Existencialismo, exploro as relações de Søren Kierkegaard e de Friedrich Nietzsche com o sentimento de angústia e, principalmente, seus desdobramentos para a reflexiva existência humana. Dar o salto ou superar? -
Existencialismo, parte I: a crise da razão kantiana 06.06.2025 29minO Existencialismo questiona não apenas qual é o sentido da vida, mas, principalmente, se a vida de fato tem um sentido. E a partir desta questão incorremos em outra: e se não tiver sentido, por que seguimos? Nesta série de cinco episódios exploraremos a trajetória do Existencialismo: de seus nascimento, através do questionamento sobre a racionalidade humana, até a sua explosão entre os séculos 19 e 20. Muitas louças serão lavadas e provavelmente você vai faxinar a casa toda, pois partiremos de Kant e Schopenhauer, passando por Kierkegaard, Nietzsche, Sartre, Beauvoir, Camus e, por fim, falaremos sobre dois existencialistas japoneses do século 20, inéditos neste podcast e cujos nomes vocês saberão em breve. Erga as mangas, coloque o fone, dê o play e bora pra mais um desconforto existencial! -
IAs e a ilusão de empoderamento 19.05.2025 26minNão. O ser humano não pensa tão rapidamente quanto acredita pensar. O pensamento demora e leva horas, dias, semanas ou mais tempo. E isso se deve ao fato de que não vivemos apenas pensando, mas experienciando o mundo. E é através da soma entre pensamento e experiência que efetivamente criamos uma obra, seja ela escrita, visual ou sonora. Mas em uma era de banalização da informação e da explosão das IAs, incorremos em algo muito pior do que não produzir nada: produzimos demais, porém apenas obras vazias, cópias de cópias. Vivemos uma ilusão de que podemos, ainda que estejamos com as mãos e as mentes atrofiadas.
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