Ilustríssima Conversa

Ilustríssima Conversa

Folha de S.Paulo
ประเทศ Brazil
แนวเพลง News, Arts
ภาษา PT-BR
จำนวนตอน 215
ล่าสุด 23.05.2026

A equipe de jornalistas da Ilustríssima, da Folha, entrevista autores de livros de não ficção ou de pesquisas acadêmicas.

ตอน

  • Adriana Negreiros: Dercy Gonçalves foi heroína decolonial pioneira 23.05.2026 51นาที
    Ao ouvir o nome Dercy, uma imagem costuma vir à cabeça: uma mulher de 70 ou 80 anos dizendo absurdos e emendando palavrões na televisão —ou mostrando os seios no programa de Hebe Camargo. Não dá para fugir da caricatura de velha escrachada e indecente ao pensar em Dercy Gonçalvez. Ao mesmo tempo, não dá para reduzir a comediante, que morreu aos 101 anos em 2008, a essa personagem que se tornou inconfundível. Neste episódio, Adriana Negreiros, autora da biografia "Dercy: a Diva Debochada", faz essa distinção e fala sobre as tantas contradições da atriz, que teve uma vida marcada pela tragédia e pela violência e encontrou no humor uma salvação. Para a autora, poucos artistas brasileiros construíram uma relação tão visceral com o público como Dercy Gonçalves, mas a pecha de comediante imoral ou pornográfica impediu que a sua genialidade fosse reconhecida. Negreiros fala sobre a postura anti-intelectual da atriz, artista da improvisação que era vista como rebelde nos palcos e dizia ter sido formada pela realidade dura do Brasil, não por qualquer influência europeia. A autora também discute as posições preconceituosas de Dercy a respeito de feministas e pessoas LGBTQIA+, por exemplo, que contrastavam com boa parte das atitudes dela ao longo da vida, e explica por que a considera uma heroína decolonial pioneira. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Bruno Blecher: Agronegócio agora vê mudança climática como risco 09.05.2026 37นาที
    Bruno Blecher, que acaba de lançar "O Sertão É o Mundo: Histórias de um Repórter Rural", é o convidado do Ilustríssima Conversa desta semana. O livro reúne 35 artigos e reportagens publicados nos últimos 40 anos e testemunha a trajetória do autor na cobertura de temas relacionados ao campo. Blecher passou pela Redação de veículos como Globo Rural e O Estado de S. Paulo e editou o Agrofolha, suplemento agrícola da Folha, nos anos 1990. Os textos da coletânea documentam como a agricultura brasileira se transformou profundamente nas últimas décadas, destacando, por exemplo, as inovações tecnológicas que abriram o cerrado para as grandes fazendas de soja e permitiram o aumento da produtividade agrícola do país. Neste episódio, Blecher fala sobre o conservadorismo dos líderes do agronegócio brasileiro e sobre como o setor vem se posicionando frente às mudanças climáticas —seja avançando em práticas mais recomendadas do ponto de vista ambiental, seja se mantendo fiel a um modelo predatório de produção. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Jéssica Cruz See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Benjamin Moser: Nem Rembrandt ou Vermeer sabiam o destino que teriam 25.04.2026 49นาที
    O escritor Benjamin Moser diz que se mudar para um país desconhecido é como passar a viver em um mundo invertido. "No começo, você não sabe para onde olhar. Não sabe onde está nem o que está olhando. Não sabe nem por onde começar", ele escreve na introdução de "O Mundo de Ponta-cabeça", agora lançado no Brasil. Quando tinha 25 anos, Moser deixou Nova York e foi morar na Holanda. Para lidar com a condição de estrangeiro, começou a olhar para a pintura da Idade de Ouro do país —percorrendo galerias e museus, se deparou com obras de Rembrandt, Vermeer e outros grandes pintores do século 17. A curiosidade com esses artistas virou obsessão e, duas décadas depois, deu origem ao livro, que explora a vida e a obra de quase 20 deles, mas, sobretudo, a sua experiência de descobrir esses artistas e entender melhor o mundo invertido em que estava vivendo. Neste episódio, o escritor fala sobre as circunstâncias históricas do período em que os pintores viveram e defende que é impossível separar a obra e a vida de um artista. Moser, conhecido pelas biografias de Clarice Lispector e Susan Sontag, diz que tanto a trajetória das duas escritoras quanto a dos mestres holandeses lembra que nenhum artista sabe o destino que vai ter —um talento extraordinário não é suficiente para prosperar, e as chances de fracassar ou terminar a vida na miséria são enormes. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • João Paulo Charleaux: Israel comete crimes de guerra em Gaza 11.04.2026 53นาที
    Pouca gente já leu o texto da Convenção de Genebra, e a maior parte das pessoas provavelmente tropeçaria se precisasse explicar a diferença entre a Corte Internacional de Justiça e o Tribunal Penal Internacional. No entanto, lembra João Paulo Charleaux, isso não é essencial para que quase todo o mundo entenda alguns princípios humanitários que devem ser respeitados nas guerras —por exemplo, que nada justifica atirar em inimigos rendidos, atacar ambulâncias e hospitais, matar uma população de fome ou torturar crianças. Charleaux, autor do recém-lançado "As Regras da Guerra", analisa como essas normas evoluíram ao longo dos últimos séculos. Neste episódio, ele fala sobre alguns conflitos atuais, como a ofensiva militar de Israel em Gaza e o ataque de Trump ao Irã. Para o autor, o Hamas cometeu uma longa lista de crimes de guerra no 7 de Outubro e Israel tem o direito de se defender. Contudo, em sua avaliação, o país vem ultrapassando de forma calculada os limites legais estabelecidos e isso deve ter um alto custo moral. Ele diz considerar que Israel está cometendo crimes de guerra gravíssimos em Gaza e que o mandado de prisão do TPI contra Netanyahu é acertado. Charleaux também discute os dilemas criados pelo uso cada vez mais frequente de drones e de ferramentas de inteligência artificial nas guerras e o papel que as Forças Armadas do Brasil devem ter em um cenário geopolítico mais extremo. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Jéssica Cruz See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Rita Carelli: Mito indígena evoca origem comum de todos os povos 28.03.2026 45นาที
    No começo de "O Mundo Fora da Pedra", Rita Carelli narra as longas viagens de barco da sua infância rumo à aldeia dos enawenê-nawês, no noroeste do Mato Grosso. Ela se lembra, mais que tudo, das noites que passou no barraco do Vicente Cañas, às margens do rio Juruena. O jesuíta espanhol chegou ao Brasil em 1966 e rumou para o estado. Era um tempo em que as missões da Igreja Católica na amazônia se transformavam: os religiosos mandados à região para converter os indígenas ao catolicismo e supostamente civilizá-los começaram a tentar entender os seus modos de vida e lutar para garantir os seus direitos. Visto mais como riponga que como missionário, Vicente Cañas passou a viver entre os indígenas e, em abril de 1987, foi assassinado no seu barraco. O processo sobre o crime, cheio de falhas, só foi concluído em 2025, quando a Justiça determinou a prisão de um delegado aposentado condenado pelo homicídio. Três décadas depois do assassinato, Carelli resolveu se dedicar a reconstituir essa história. Filha de uma antropóloga e de um cineasta envolvidos com a causa indígena, ela visitou os enawenê-nawês e outros povos desde criança e, hoje, o seu trabalho como escritora e diretora de cinema é perpassado por essas experiências. Neste episódio, a autora fala sobre como construiu a narrativa de "O Mundo Fora da Pedra", que ela diz ser um livro estranho por combinar um mergulho em um inquérito policial de milhares de páginas, uma reflexão sobre a história do país e uma costura das suas próprias memórias. Carelli explica algumas práticas rituais e outros aspectos da cultura exuberante dos enawenê-nawês e fala sobre como o mito de origem do grupo —sair de uma pedra ancestral em que todas as pessoas viviam juntas— ajuda a pensar o mundo de hoje. Veja fotos de fotos de Vicente Cañas e dos enawenê-nawês Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Uirá Machado: Obsessão por xadrez e fervor religioso marcaram vida de Mequinho 14.03.2026 50นาที
    Em 1979, o maior jogador brasileiro de xadrez da história mal conseguia se mexer. Trancado no seu apartamento, Mequinho sentia muita fraqueza e tinha medo de morrer a qualquer momento. O enxadrista teve que se afastar dos tabuleiros por causa da doença, que ele acreditava ser miastenia grave, e começou a frequentar um grupo de oração da Renovação Carismática Católica. No auge dessa crise, Mequinho recebeu em casa uma das pioneiras no país das sessões de cura, que se impressionou com a suposta graça instantânea alcançada. O enxandrista retomou os movimentos e passou a dizer que tinha sido curado por Jesus —não totalmente, mas 99%. Esse é um dos momentos de virada da vida de Mequinho, esquadrinhada por Uirá Machado, jornalista da Folha, na biografia recém-lançada "Entre Bispos e Reis". O livro narra a infância do garoto prodígio no interior do Rio Grande do Sul, a glória nos anos 1960 e 1970 e o fervor religioso que marcou a vida do enxadrista a partir da década de 1980. Convidado deste episódio, Uirá fala sobre a importância de Mequinho na história do esporte brasileiro e explica como o enxadrista trocou a obsessão pelos tabuleiros pela pregação religiosa —Mequinho passou a dizer nos últimos anos, por exemplo, que foi escolhido por Jesus como profeta do apocalipse. Veja galeria de fotos da trajetória de Mequinho Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Vladimir Safatle: O que vemos hoje não é metáfora, é o fascismo mesmo 28.02.2026 57นาที
    Vladimir Safatle, filósofo e professor da Universidade de São Paulo, está lançando o livro "A Ameaça Interna —Psicanálise dos Novos Fascismos Globais", pela editora Ubu. No podcast Ilustríssima Conversa deste sábado (28), o autor argumenta que aquilo a que estamos assistindo na cena política contemporânea, com a emergência do populismo autoritário em diversos países, não é uma metáfora do fascismo ou uma regressão ao fascismo; é o próprio fascismo. Safatle estabelece uma relação entre o que chama de fascismo global e as mentalidades e ideologias vigentes nas sociedades ditas neoliberais: o individualismo acirrado, a competição, a ideia de que alguém vai sempre perder. Ele prefere chamar esses regimes não de democracias, mas de fascismos restritos. O professor ainda fala, no podcast, sobre a polêmica que se criou em torno de um artigo sobre as teorias decoloniais que publicou na revista piauí ("Estudos decoloniais e o grande FMI universitário"). Produção e apresentação: Marcos Augusto Gonçalves Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Camila Appel: Paradigma médico atual cria entraves a morte mais humana 07.02.2026 53นาที
    O ditado diz que a morte é a única certeza da vida —todo o mundo sabe, desde criança, que vai morrer, mas quase nada dá mais medo do que pensar no fim da vida. Para falar sobre por que a gente precisa falar sobre a morte, o Ilustríssima Conversa recebe Camila Appel nesta semana. A jornalista é criadora do blog Morte sem Tabu, da Folha, e acabou de lançar "Enquanto Você Está Aqui", uma reflexão sobre vários aspectos do fim das nossas vidas endereçada à sua mãe, a dramaturga Leilah Assumpção, 84. Esta é a raiz do trabalho que Appel vem desenvolvendo desde 2014: disseminar a ideia de que a morte, por ser uma certeza para todos, precisa ser tratada com a maior naturalidade possível, tanto para podermos lidar melhor com o fim da vida de mães e pais, irmãs e irmãos, esposas e maridos, cachorros e gatos quanto para conseguirmos nos preparar para a nossa própria morte. Esse assunto pode parecer sombrio, mas, como Appel lembra, olhar de frente para a nossa finitude é, antes de tudo, uma forma de pensar em como queremos viver. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Elvia Bezerra: Ruazinha em Santa Teresa mudou a poesia de Manuel Bandeira 24.01.2026 46นาที
    Em uma crônica, Manuel Bandeira escreve que a rua do Curvelo, onde morou de 1920 a 1933, "é uma ruazinha tranquila, e embora a dez minutos do centro da cidade parece um trecho de província". A rua de uma quadra em Santa Teresa, no Rio, poderia ser um detalhe sem muita importância na biografia de Bandeira. No entanto, para Elvia Bezerra, pesquisadora de literatura brasileira, deve ser vista como um aspecto fundamental na sua formação e no seu destino de poeta modernista. Bezerra diz que, imerso na atmosfera de província do Curvelo, um Manuel Bandeira recluso e tuberculoso redescobriu o encanto da rua —e esse universo de gente simples o arrancou do mundo fechado de poeta, se imbuiu nos seus versos e deu impulso a um dos períodos mais ricos da sua produção literária. Nos anos em que Bandeira esteve lá, também moraram na rua, hoje chamada Dias de Barros, o poeta Ribeiro Couto e a psiquiatra Nise da Silveira, os três personagens a que a autora se debruça em "A Trinca do Curvelo". Publicado pela primeira vez em 1995, o livro volta a circular em uma edição revista e ampliada, que incorpora fontes disponibilizadas nas últimas décadas, como a correspondência de autores modernistas. Nesta entrevista, Bezerra explica como um encontro com Nise da Silveira se tornou o empurrão inicial do livro e conta o que descobriu ao investigar a vida e a obra de Manuel Bandeira, em especial as relações amorosas do poeta "ferozmente discreto", tema de dois ensaios inéditos incluídos na nova edição da obra. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Leonardo Avritzer: Trump e bolsonarismo sem Bolsonaro são incógnitas na eleição de 2026 10.01.2026 50นาที
    Condenado pelo STF e preso, Jair Bolsonaro vai ser capaz de emplacar um sucessor —e a direita vai conseguir ter um candidato competitivo nas eleições deste ano? Depois do ataque dos EUA à Venezuela, o que esperar de uma possível interferência do governo Trump no processo eleitoral brasileiro? No primeiro episódio de 2026 do Ilustríssima Conversa, o cientista político Leonardo Avritzer traça alguns cenários para a política brasileira nos próximos meses. Para ele, a defesa da democracia nunca teve mais força na história do país, mas o regime democrático brasileiro continua em disputa —como sempre esteve nos últimos cem anos. Esse é o fio condutor de "O Golpe Bateu na Trave", livro mais recente de Avritzer. Na obra, o pesquisador discute por que as ações de Bolsonaro nos últimos meses do seu mandato devem ser entendidas como parte de uma tentativa de golpe de Estado e aponta os motivos de a ruptura democrática não ter acontecido, destacando o papel da oposição, dos militares e do STF. Nesta entrevista, o cientista político também aborda os valores antidemocráticos arraigados em uma grande parcela da sociedade brasileira, que explodiram no 8 de Janeiro. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Gabriel Weber: Ônibus que leva a praias da zona sul do Rio costura cidade fragmentada 13.12.2025 51นาที
    Um motorista do 474, conhecido como linha do inferno no Rio de Janeiro, contou a Gabriel Weber que se, se a previsão do fim de semana é de sol, ele começa a "meter Alprazolam", um ansiolítico, já na quinta-feira. O arquiteto é autor de "474 Jacaré/Copacabana". O livro, a partir de um olhar de dentro do 474, busca entender o Rio de Janeiro e suas desigualdades. O ônibus liga o que ele chama de bairros-cativeiro da massa falida da zona norte a uma zona sul com um microclima mais ameno, que abriga as praias das pessoas de bem e onde toca João Gilberto. O túnel que liga os dois Rios, Weber diz, é como um portal místico —e depois de cruzá-lo, com jovens surfando em cima do ônibus e viajando nas janelas, o ônibus provoca um Big Bang na zona sul e se torna alvo da polícia. Para ele, por outro lado, esse corte que marca a urbanização carioca não gera uma cidade partida e o próprio 474 é um dos vetores que costuram os vários fragmentos do Rio de Janeiro. Nesta entrevista, o arquiteto afirma que não ignora os problemas de segurança relacionados à linha, mas defende que é preciso lembrar as condições de vida dos moradores dos bairros precários da zona norte e a elite segregacionista da zona sul, que vê as praias como espaços de uso exclusivo. Weber também discutiu as questões de gênero e racial que se manifestam no 474 e contou algumas histórias que presenciou, como um homem que desrespeitou o código de ética da linha roubando uma moradora da zona norte e acabou empurrado para fora do ônibus. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Rosane Borges: Mulheres negras enfrentam imaginário racista e constroem novo futuro 29.11.2025 50นาที
    As mulheres negras vêm transformando o nada —o rebaixamento a que foram submetidas pelo colonialismo e pela escravidão— em quase tudo, diz Rosane Borges, doutora em comunicação e linguagem pela USP e professora da PUC São Paulo. Com a expressão quase tudo, ela faz referência a uma infinidade de iniciativas que buscam tirar as mulheres negras da base da pirâmide social e, ao mesmo tempo, construir novos imaginários para enfrentar os estereótipos racistas e sexistas que se afirmaram nos últimos séculos. Em "Imaginários Emergentes e Mulheres Negras", a pesquisadora analisa o tema e defende que a emancipação das mulheres negras demanda a construção de uma fábrica de imaginários, semelhante a Hollywood, para criar um novo conjunto de narrativas. Neste episódio, Borges discute as imagens negativas criadas pelo colonialismo sobre as pessoas negras e afirma que essas representações se tornaram uma profecia autorrealizável, que continua perpetuando desigualdades e o racismo. A autora também diz que esse imaginário tem tudo a ver com a indicação de Jorge Messias ao STF, pelo presidente Lula, em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Bel Coelho: Conhecer sabores da floresta é essencial para manter a amazônia em pé 15.11.2025 37นาที
    Não existe floresta sem gente —seja porque a amazônia, longe de ser um bioma intocado, foi cultivada por povos originários ao longo de milhares de anos, seja porque extrativistas, indígenas, quilombolas, ribeirinhos e tantos outros grupos se tornaram guardiões da floresta. Essa ideia é o ponto de partida de "Floresta na Boca", livro da chef Bel Coelho sobre os sistemas alimentares da amazônia, enraizados tanto nos ingredientes da floresta quanto nas práticas das populações da região. A autora lança na COP30, em Belém, o livro e um documentário sobre a amazônia, que são resultado de duas expedições realizadas neste ano no Pará. Nesta entrevista, a chef diz que a culinária brasileira ainda é muito distante dos ingredientes da nossa biodiversidade e que o apagamento cultural de certos alimentos pode levar à sua extinção ambiental, impulsionando uma agricultura colonizada. Ela também explica por que considera a mandioca a rainha do Brasil, fala sobre os riscos da açaização da amazônia —o incentivo à monocultura do açaí devido ao aumento do seu preço nos mercados— e discute o protagonismo feminino em experiências de conservação da floresta. Por fim, Bel Coelho defende uma transformação na nossa alimentação para lidar com a crise climática, por meio do consumo de ingredientes nativos e da remuneração justa de produtores comprometidos em manter a floresta em pé. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Reginaldo Prandi: Terreiro transbordou para a sociedade e moldou a cultura brasileira 01.11.2025 54นาที
    O sociólogo Reginaldo Prandi, professor emérito da USP, é o convidado do Ilustríssima Conversa desta semana. Prandi, um dos mais importantes pesquisadores do país das religiões afro-brasileiras, está lançando "Orixás: os Deuses que Habitam em Nós", livro destinado tanto a quem acredita nessas divindades quanto a quem se interessa intelectualmente por elas. A obra reúne mitos sobre 18 orixás e explora como os deuses são cultuados no Brasil. Ao mesmo tempo, celebra os 25 anos de publicação de "Mitologia dos Orixás", best-seller e referência fundamental sobre o tema. Nesta entrevista, Prandi narra como chegou ao estudo dos orixás e dos terreiros e diz que, assim aconteceu com outras religiões, a história do candomblé foi profundamente influenciada por circunstâncias políticas e sociais do Brasil. O autor também aponta orixás que ganharam espaço nos últimos anos, por expressarem debates sobre gênero e sexualidade, por exemplo, e explica como os rituais dos terreiros transbordaram para o resto da sociedade e foram fundamentais na construção da cultura brasileira. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Marina Rossi: Consumo atual de carne é insustentável 18.10.2025 34นาที
    O Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do mundo: são mais de 230 milhões de bois, e 44% dos animais estão nos estados da Amazônia Legal. Só o município de São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, tem 2,5 milhões de bois, cerca de 38 cabeças de gado para cada habitante humano. O rebanho do país vem crescendo nas últimas décadas, e a pecuária é um dos principais vetores de desmatamento da amazônia —se calcula que 90% da área desmatada do bioma vira pasto. Esses são alguns dos dados reunidos pela jornalista Marina Rossi em “O Cerco”, livro recém-lançado que busca entender como a maior floresta tropical do mundo foi invadida pela pecuária e quais são as consequências ambientais e sociais desse processo. Neste episódio, Rossi lembra que a amazônia é fundamental para a viabilidade ambiental do Brasil e diz que a transformação do bioma em pasto conta, há décadas, com incentivos do Estado, seja por meio do financiamento a propriedades que desmatam, seja por falhas na fiscalização ambiental. Na entrevista, a autora também discute os desafios relacionados à redução do consumo de carne no país e defende que mudanças no comportamento dos consumidores podem ter impacto em toda a indústria. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Lucas Monteiro See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Leopold Nosek: Empreendedorismo leva pessoas a competir com o próprio relógio 04.10.2025 41นาที
    A ficção pode ser a melhor forma de retratar a realidade, diz o psicanalista Leopold Nosek. Criar narrativas para dar sentido ao mundo é inevitável, ele diz, e essa é a base do que chama de método Marlow, inspirado no protagonista do romance "Coração das Trevas" e título do seu livro recém-publicado. "O Método Marlow: Ensaios Indisciplinares em Psicanálise" reúne ensaios recentes que abordam temas como os tipos de sofrimento psíquico relacionados ao espírito do tempo atual e textos que documentam a sua trajetória intelectual e clínica de décadas. Nesta entrevista, Nosek diz ver em seu consultório discursos que pouco avançam em elaborações mais abstratas, que refletem "patologias de pobreza imaginativa" –algo muito semelhante à avaliação que faz das ideologias do presente, que considera muito pouco sofisticadas. Para o autor, a subjetividade moldada por ideais como o empreendedorismo e a meritocracia faz com que os sujeitos, que se consideram seus próprios patrões, passem a competir com o próprio relógio: todos têm que ser campeões, ele diz, e, ao mesmo tempo, vivemos em um mundo cada vez mais marcado pelo medo e pela incerteza. Nosek também discutiu a atualidade da psicanálise. Para ele, não se trata de um campo anacrônico ou ultrapassado, mas de uma prática que, em vez de interpretar sonhos, pode ajudar os pacientes a construir sonhos em um mundo sombrio. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Ernesto Mané: Fui à África para reconstruir minha identidade 20.09.2025 46นาที
    O racismo é uma forma de estruturar o mundo e é integral à constituição da sociedade brasileira, diz o físico e diplomata Ernesto Mané. No seu livro de estreia, o autor registra como a discriminação racial o acompanhou em toda a sua trajetória —e se entrelaça com a história do seu pai, nascido na Guiné-Bissau, e do próprio colonialismo que se impôs sobre o país e sobre o continente africano. Mané, nascido em João Pessoa, tinha feito o doutorado em física em Manchester, no Reino Unido, e um pós-doutorado em Vancouver, no Canadá, quando embarcou para a Guiné-Bissau para conhecer o país e a família do pai, figura ausente em boa parte da sua vida. O diário que ele manteve na viagem, em 2010 e 2011, deu origem a "Antes do Início", que registra seus esforços para conhecer seu passado familiar e reconstruir sua própria identidade. Neste episódio, o convidado fala sobre o que a escrita oferece para lidar com o terreno da memória, explica por que resolveu publicar seu diário quase 15 anos depois da viagem à Guiné-Bissau e conta o que descobriu sobre o pai, morto em 2014. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • [Conteúdo Patrocinado] Podcast ‘Pra Falar de Educação’ aborda a importância de fortalecer a Educação de Jovens e Adultos 18.09.2025 51นาที
    A educação é um direito garantido por lei, mas muitos brasileiros ainda não conseguem concluí-la. No país, quem tem 25 anos ou mais estudou, em média, 10,1 anos —abaixo do ciclo completo da educação básica. O abandono escolar gera grandes prejuízos, mas a Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem mostrado caminhos para transformar histórias de vida e abrir novas perspectivas no mercado de trabalho. É o caso de César Teixeira, personagem do episódio "Educação de Jovens e Adultos: Desafios e Possibilidades", o último da série "Pra Falar de Educação". Após abandonar a escola, Teixeira retomou os estudos pela EJA do SESI-SP, conquistando o diploma, autoestima e uma nova profissão. Especialistas alertam que os impactos da pandemia, o cansaço dos estudantes e a redução de políticas públicas para a EJA dificultam a permanência e ampliam desigualdades. O episódio mostra como a retomada dos estudos pode mudar vidas, e também expõe a urgência de fortalecer a modalidade no Brasil.See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Jamil Chade: Deportações em massa dilaceram a alma dos EUA 06.09.2025 44นาที
    A deportação em massa de imigrantes, bandeira de campanha de Donald Trump que vem sendo posta em prática em seu novo mandato, espalha medo e enfraquece a economia americana. Mais que isso, diz Jamil Chade, molda um imaginário coletivo que permite que o discurso de ódio e a xenofobia irrompam nas situações mais inesperadas, dilacerando a alma do país. O recém-publicado "Tomara que Você Seja Deportado" reúne crônicas escritas entre a campanha presidencial e a metade de 2025. O jornalista se mudou para os Estados Unidos e percorreu uma dezena de estados do país, registrando as ameaças da vitória de Trump para imigrantes, indígenas e negros, entre outros grupos. Para o autor, o país e todo o Ocidente vivem uma das encruzilhadas mais dramáticas da nossa história recente e a sobrevivência da democracia depende da luta de uma geração inteira. Assim como uma condenação de Jair Bolsonaro pelo STF não deva significar o fim do bolsonarismo, ele diz, uma vitória dos democratas na próxima eleição não encerraria o movimento capitaneado por Trump. Na entrevista, o jornalista também falou sobre a debilidade da resistência da sociedade civil americana à agenda trumpista e discutiu o novo interesse pelo Brasil em Washington nos últimos meses, que ele relaciona com disputas geopolíticas com a China na América Latina e a reação do Judiciário brasileiro à trama golpista no governo Bolsonaro. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.
  • Vera Iaconelli: Psicanálise revela que somos feitos de palavras 23.08.2025 42นาที
    Ninguém precisa, necessariamente, de análise, diz Vera Iaconelli, doutora em psicologia pela USP, diretora do Instituto Gerar de Psicanálise e colunista da Folha. Se a pessoa não se reconhece como parte do sofrimento que enfrenta, deve procurar outro tipo de profissional para lidar com as suas queixas —e admitir que existe um sujeito que faz escolhas mesmo nas circunstâncias mais dramáticas é o ponto de partida da psicanálise, ela diz. Sair do lugar de vítima, Iaconelli afirma, foi parte do seu próprio processo de análise, narrado em seu novo livro. Em "Análise", as experiências no divã são entremeadas com a reforma de uma casa e as memórias da sua família, terreno em que se destacam a figura do pai, um homem violento e imprevisível que mantinha outra família, e a morte precoce de dois irmãos. Neste episódio, a autora fala sobre a diferença da oralidade e da escrita na construção das memórias e diz que só conseguiu contornar certos resíduos da análise ao escrever o livro. Iaconelli também afirma que a psicanálise não foi, ao longo da história, muito generosa com as mães e que, hoje, uma mistificação sobre a maternidade na teoria psicanalítica ainda dificulta a escuta de mulheres por seus analistas. Produção e apresentação: Eduardo Sombini Edição de som: Raphael Concli See omnystudio.com/listener for privacy information.