Na Terra dos Cacos
PÚBLICO
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O podcast 'Na Terra dos Cacos' explora a situação dos países africanos, que, como dizia Eduardo White, são cacos dos sonhos que partiram ontem. António Rodrigues e Elísio Macamo discutem, a cada duas semanas, como colar esses cacos, refletindo sobre os desafios e as esperanças do continente.
Епизоди
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A gesta histórica de Cabo Verde até onde poderá chegar 24.06.2026 47минNeste episódio a conversa volta a girar com entusiasmo em torno do comportamento das selecções africanas no Mundial de futebol. Desde os dois empates de Cabo Verde contra colossos do futebol mundial, passando pela Costa do Marfim que quase dobrava a Alemanha, já para não falar da primeira vitória do Egipto em fases finais de Mundial e do bem que se está a comportar Marrocos. A seguir, conversaremos sobre a primeira Convenção Nacional do partido Anamola, de Venâncio Mondlane, que se realizou em Nampula entre sábado e segunda-feira, culminando com a eleição do ex-candidato presidencial para presidente do partido, cargo que ele já vinha desempenhando interinamente desde Agosto do ano passado, quando o Ministério da Justiça de Moçambique aceitou a criação da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo. Na segunda parte, a nossa entrevistada é Marta Lança, criadora do site Buala, programadora, tradutora, jornalista, investigadora, guionista e agora autora do livro Essas Pessoas na Sala de Jantar, editado pela Tigre de Papel, uma colecção de histórias relacionadas com as várias casas onde viveu em diversos pontos do mundo: Mindelo, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro, São Paulo, Faial, Ourique e vários bairros de Lisboa. O livro teve um primeiro lançamento na Feira do Livro de Lisboa e novo lançamento marcado para o dia 9 de Julho, às 18h, no bar Bota, no Largo de Santa Bárbara, em Lisboa, com apresentação a cargo de Vasco Santos e Margarida Ferra.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Cabo Verde pode ganhar o Mundial de Futebol? 10.06.2026 52минOptimista como sempre, o professor Elísio Macamo está convencido que a selecção de Cabo Verde pode ir longe neste 23.º Campeonato do Mundo de Futebol que se disputa em três países, Canadá, Estados Unidos e México, e começa esta quinta-feira com o encontro entre o México e a África do Sul. Apesar do grupo complicado dos “tubarões”, com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, Cabo Verde pode ir muito longe e se depois de Marrocos ter chegado às meias-finais no Qatar, em 2022, coubesse aos estreantes “Tubarões” ser a primeira selecção africana a chegar a uma final do Mundial? Na primeira parte, também conversaremos sobre a nova plataforma de reflexão estratégica sobre África e o mundo, denominada “Pensar Global”, uma iniciativa da Edicenter-Publicações, do Grupo Executive, angolano, em parceria com o CEJES, o Centro de Estudos de Ciências Jurídico-Económicas e Sociais da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, e com AIPEX-Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola. O orador da primeira edição já passou por este podcast, trata-se do guineense Carlos Lopes, professor na Mandela School of Public Governance, da Universidade da Cidade do Cabo, antigo secretário-geral adjunto das Nações Unidas, antigo conselheiro de Kofi Annan quando o ganês era secretário-geral da ONU e alto representante da União Africana para as relações com a União Europeia. Carlos Lopes vai falar de “África e o Mundo – Repensar o Presente e Redefinir o Futuro”, uma reflexão “profunda, estratégica e provocadora” sobre soberania económica, relações internacionais e oportunidades de transformação do continente, escreve o jornal económico angolano Mercado. Na segunda parte, o nosso entrevistado é o investigador Ruy Blanes que vem ao podcast falar sobre o 27 de Maio em Angola, do trabalho da CIVICOP, Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, sobre a nova alegada descoberta de uma vala comum num cemitério de Luanda com 600 restos mortais de vítimas da purga que se seguiu à dita tentativa de golpe de Nito Alves a 27 de Maio de 1977. Blanes, antropólogo, principal investigador do Centro em Rede de Investigação em Antropologia ligado a quatro instituições de ensino superior portuguesas (Iscte, Universidade Nova, Universidade de Coimbra e Universidade do Minho) está a escrever um livro sobre o 27 de Maio para publicar no próximo ano, quando se assinalam 50 anos do alegado golpe.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Quem disse que João Lourenço não continuará a ser Presidente? 27.05.2026 50минO nosso convidado é o sociólogo David Boio, cuja empresa Ovilongwa é a responsável pela recolha de informação para o território angolano dos inquéritos do Afrobarómetro, esse retrato estatístico de África, e que nos vem falar de eleições, estado da democracia, desinteresse e de João Lourenço e ela que faz a pergunta: será mesmo que o Presidente angolano vai deixar a presidência e o poder? O actual chefe de Estado anunciou a sua recandidatura à liderança do partido, cuja eleição decorrerá no congresso do MPLA de 9 e 10 de Dezembro. Lourenço quer ter tudo a dizer na escolha do seu sucessor como candidato à presidência e pretende manter-se como figura tutelar do executivo no caso de o MPLA voltar a ganhar as eleições e a probabilidade de isso acontecer é muito alta. Antes, na primeira parte, a conversa andará à volta das eleições em Cabo Verde, a derrota do MpD ao fim de dez anos de poder, a demissão e o fim da carreira política do primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva. Também falaremos da livre circulação de africanos em África, havendo já alguns países que deixaram de exigir vistos de entrada nas suas fronteiras a cidadãos de países africanos: Angola, Benim, Ruanda, Gana, Seychelles, Gâmbia. O mais recente foi o Togo, na semana passada. Mas não deixa de ser uma gota de água num mar imenso de obstáculos à integração africana que está muito longe de acontecer.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Como a literatura colonial acabou a ajudar a construir um país 13.05.2026 39минEm 2002, o livro foi recebido “entre a indiferença e frieza”. Um trabalho que talvez tenha surgido adiantado para o seu tempo: nem ao Portugal que entrava no novo milénio lhe interessava a literatura colonial portuguesa, nem o Moçambique que se reconstruía depois da guerra civil se sentia com vontade de assumir como seu o passado do país durante a ocupação colonial. A reedição agora pela Caminho dá-lhe oportunidade para um segundo fôlego. As investigações e a reflexão sobre o colonialismo português, quer no espaço público quer no espaço académico, generalizaram-se a ponto de diminuir a carga de susceptibilidade que o seu tema envolve. E o distanciamento temporal poderá assegurar que Império, Mito e Utopia: Moçambique como Invenção Literária, a tese de doutoramento em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa do investigador moçambicano Francisco Noa, seja vista por aquilo que é: uma investigação sólida, assente em bases teóricas extensas e muito bem escrita. Francisco Noa é o nosso entrevistado, na segunda parte neste novo episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast do PÚBLICO sobre temas africanos. Na primeira parte, António Rodrigues e Elísio Macamo conversam sobre a situação no Mali e o professor da Universidade de Basileia até se permite um exercício de schadenfreude, pois os ataques em larga escala dos rebeldes tuaregues e dos jihadistas ligados à Al-Qaeda vieram demonstrar a incapacidade dos militares golpistas para resolver os problemas do Sahel e a fatuidade da ajuda militar russa. Também há espaço para conversar sobre as eleições legislativas em Cabo Verde que se disputam no domingo, 17 de Maio, tendo mais uma vez o MpD, no poder desde 2016, e o PAICV, o antigo partido único, como os principais actores de uma eleição com cinco partidos a disputar os 72 lugares no Parlamento.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A mancha que ficou entre as palavras do Papa em África 29.04.2026 46минUm Papa em África, um líder político injustamente preso e um romance que ganha nova vida 28 anos depois, assim se faz este novo episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast do jornal PÚBLICO dedicado a temas africanos. O longo périplo de Leão XIV em África, a sua primeira grande viagem papal ainda dentro do seu primeiro ano de pontificado, mostra a importância que o sucessor de Francisco dá ao continente. A jornada começou no dia 13 na Argélia e terminou na Guiné Equatorial no dia 23, passando por Camarões e Angola, ficou marcada por mensagens importantes contra a exploração económica e os interesses instalados. Reconciliação, paz, luta contra a exploração, o Papa falou de injustiça, falou de exploração, dessa lógica extractivista que leva os recursos sem deixar riqueza para os que ficam. Todo um guião adequado para um sucessor de Francisco: apesar de estilos diferentes, o primeiro Papa franciscano e o primeiro Papa agostiniano parecem ter muitas coisas em comum. No único em que destoou, naquilo em que foi mais Bento XVI, foi na referência que fez na missa campal nos arredores de Luanda, a 19 de Abril, às religiões tradicionais: “É necessário estar sempre atento às formas de religiosidade tradicional, que certamente pertencem às raízes da vossa cultura, mas que, ao mesmo tempo, correm o risco de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual.” A semana passada, o primeiro-ministro Ilídio Vieira Té, escolhido pelos militares golpistas da Guiné-Bissau, deu uma conferência de imprensa para dizer que Domingos Simões Pereira (DSP), presidente do Parlamento guineense, se encontra sob custódia militar e agora só esperava “uma justiça parcial e objectiva” do tribunal que “é um órgão independente”. Tanto os advogados como a família de DSP dizem que não há nenhum processo contra o líder do PAIGC e que tudo não passa de um estratagema político para o manter detido. “Fracassada a intenção de incriminar o nosso cliente, sobretudo pela posição clara e inequívoca dos promotores que foram ameaçados e afastados do processo”, acabaram a criar “um tribunal ad hoc, com magistrados requisitados”. No nosso espaço habitual de entrevista, temos como convidada a escritora cabo-verdiana Dina Salústio, cujo primeiro romance, A Louca de Serrano, publicado pela primeira vez em 1998 em Cabo Verde, teve agora a sua primeira edição em Portugal pela editora Rosa de Porcelana.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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África precisa de homens fortes no poder? 15.04.2026 48минEsta quinta-feira, 16 de Abril, a Liga Africana vai deixar de vez o edifício que foi construído para a sua sede em 1953 e que desde 2017 é Património Histórico-Cultural de Angola. A organização, considerada de utilidade pública desde 1996, e os membros da sua direcção foram agraciados, em Setembro, pelo Presidente João Lourenço com as medalhas criadas para comemorar os 50 anos da independência de Angola pelos serviços prestados à nação. O mesmo João Lourenço assinou agora o ofício a ordenar o despejo da Liga Africana, numa decisão que apanhou de surpresa os seus órgãos directivos, que não foram tidos nem achados na decisão. Será que estamos perante mais um exemplo de como o Governo de Angola lida mal com a preservação da memória histórica? E já que estamos com perguntas: É verdade que os africanos precisam de homens fortes a governá-los? A julgar pelo editorial de 8 de Abril do director da revista Jeune Afrique, um homem branco de 73 anos nascido em França, sim, os africanos querem homens fortes a governá-los. Escreve François Soudan: “A maioria dos africanos não é diferente da maioria dos outros povos. Não rejeitam os homens fortes; pelo contrário, procuram-nos. Porque a força seduz, porque é a sintaxe e a gramática da linguagem do poder, porque não há instituições fortes sem homens fortes para as pôr em prática. E porque nada há de pior, aos olhos dos administrados, do que um presidente desgastado, que não corta nem cabeças nem problemas.” Na segunda parte, no nosso espaço de entrevista, vamos conversar com o artista plástico português de ascendência angolana e cabo-verdiana Francisco Vidal, a propósito da sua participação numa exposição colectiva na Haus der Kulturen der Welt, a Casa das Culturas do Mundo, em Berlim. Tirailleurs. De “carne para canhão” a vanguarda – os soldados esquecidos que libertaram a Europa, inaugurada a 21 de Março e que se prolonga até 14 de Junho, é uma exposição que tenta resgatar do esquecimento os soldados das colónias francesas que lutaram pela libertação da Europa na II Guerra Mundial. O programa diversificado da exposição alarga-se a histórias semelhantes de outras regiões e períodos, de forma a evidenciar a continuidade da exploração de pessoas como “recursos humanos” em diferentes regimes. E é aí nesse espaço colectivo de reconhecimento e memória, com obras de mais de 30 artistas, que Vidal expõe o seu mural, encomendado pela Casa das Culturas, composto por 48 cartazes de 62,5 cm por meio metro em papel de parede a que deu o nome de Didactic drawings for a future reading, thoughts about slavery and freedom, ou seja, desenhos didácticos para uma leitura futura, pensamentos sobre escravatura e liberdade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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“A oposição em Angola é propriedade do próprio regime” 01.04.2026 43минAs eleições em Angola são uma ilusão de que a oposição é cúmplice, chegou, pois, a hora de tentar mudar a situação política por outras formas que não a dos partidos políticos. Esse é o resumo do manifesto político que elementos da sociedade civil angolana, nomeadamente Luzia Moniz e Domingos da Cruz, pretendem divulgar como forma de incentivar a população a levar a cabo “uma nova luta de libertação nacional em Angola”. Disso nos vem falar Domingos da Cruz, o entrevistado deste episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast do PÚBLICO sobre temas africanos. O investigador, um dos presos políticos do processo dos 15+2 em Angola, actualmente a residir no Canadá, considera que MPLA e UNITA se equivalem nessa manutenção de um sistema que só os beneficia a eles e em que o povo é o capim que sofre. Se “a oposição em Angola é propriedade do próprio regime”, então a alternância política através de eleições é uma falácia repetida apenas para manter tudo como está. O manifesto propõe “a autolibertação do povo da manipulação dos partidos sem bússola moral, para que a soberania popular se mobilize fora das instituições para erradicar a opressão”. Na primeira parte, falamos da Rússia que vai começar a explorar urânio na Namíbia, um dos países com maiores reservas deste minério no mundo e partilhar o seu know how em matéria de energia nuclear com o país da África Austral que tem uma extensa fronteira com Angola. E também conversaremos sobre a decisão da justiça moçambicana de levar a julgamento o candidato presidencial Venâncio Mondlane, principal rosto da oposição em Moçambique, no âmbito de cinco processos-crimes por causa das manifestações contra a alegada fraude depois das eleições gerais de 9 de Outubro de 2024.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Faz todo o sentido que a Argélia queira que a França pague pelos ensaios nucleares 18.03.2026 42минNum documento publicado na semana passada, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês) analisa as implicações do fecho do estreito de Ormuz para a economia mundial. Nomeadamente para África e para países cuja agricultura depende extremamente dos fertilizantes importados dos países do Golfo, como Moçambique, que está entre os dez mais dependentes, com 22% do fertilizante que consome a sua agricultura a passar precisamente por essa importante via marítima, afectada pela retaliação do Irão aos ataques de Estados Unidos e Israel. A Argélia aprovou uma nova lei sobre o colonialismo, que suavizou 13 artigos que poderiam levar a problemas diplomáticos com a antiga potência colonial, a França. Manteve, no entanto, a mão dura na criminalização da apologia do colonialismo, para preservação da memória daqueles que lutaram pela independência do país. A partir de agora, quem glorificar o período colonial, em texto, imagem ou audiovisual, incorre numa pena de prisão de três a cinco anos e uma multa entre 100 mil e 500 mil dinares (de 650 a 3250 euros). A pena duplica em relação aos reincidentes, até dez anos de prisão efectiva. Na segunda parte, temos como nossa convidada a presidente do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, Matilde Santos, que nos fala dos desafios e problemas com que se debate uma biblioteca nacional recente como a cabo-verdiana, que tem apenas 25 anos. Falamos sobre digitalização, literacia, fomento da leitura, falta de meios e de técnicos com formação.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A filosofia do absurdo e os sonhos da independência 04.03.2026 42минNa próxima semana, estreia nos cinemas portugueses a adaptação feita pelo cineasta francês François Ozon do livro de Albert Camus, O Estrangeiro, com Benjamin Voisin no papel de Mersault. O primeiro romance publicado pelo escritor francês nascido na Argélia, em 1942, é a primeira parte de uma tetralogia que Camus definiu como o “ciclo do absurdo”. O livro que começa assim “Hoje, a mãe morreu. Ou, se calhar, ontem, não sei”, tem como protagonista Mersault, modesto empregado de escritório em Argel, capital da Argélia, então colónia francesa. Um homem sem ambições que se cala porque não tem nada para dizer, como afirma, e que, um dia, “mata um árabe” a tiro na praia, “por tédio” ou, se calhar, “por causa do sol”. Ozon adaptou agora o livro que Luchino Visconti havia adaptado em 1967, com Marcelo Mastroianni interpretando Mersault. Desta vez, o principal papel foi entregue a Benjamin Voisin, que, no preto e branco da fotografia a que lhe falta alguma profundidade nas sombras, consegue ser convincente na sua profunda banalidade. Falamos também de Moçambique e do Fundo Monetário Internacional que considera que o país está exposto a vulnerabilidades significativas associadas a desequilíbrios internos e externos, a um crescimento modesto, a uma dívida pública elevada, a problemas de segurança, a fragilidades institucionais e a choques climáticos, por isso recomenda ao Governo levar a cabo reformas orçamentais e estruturais. Ao mesmo tempo, o Banco Mundial anunciou há dias que vai disponibilizar 6000 milhões de dólares nos próximos cinco anos com o objectivo principal de criar emprego. Na segunda parte, a nossa convidada será a escritora angolana Branca Clara das Neves, pseudónimo literário de Ana Luísa Teixeira, nascida no Luena, no Leste de Angola em 1956. Uma conversa a propósito do seu mais recente livro Casa 75, publicado recentemente pela editora angolana Elivulu. “Casa 75” é um romance de amadurecimento que evoca o espírito Casa dos Estudantes do Império e a sua influência na difusão do pensamento nacionalista e na aproximação de intelectuais das antigas colónias e na partilha de experiência das suas lutas pela independência.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Guiné-Bissau: “Sissoco Embaló abriu as portas ao tráfico de droga” 18.02.2026 48минA última grande apreensão de droga na Guiné-Bissau aconteceu quando Ruth Monteiro era ministra da Justiça, por isso, sabe do que está a falar quando diz, neste episódio do podcast Na Terra dos Cacos, que o Presidente deposto da Guiné-Bissau, Umaro “Sissoco Embaló, abriu a porta ao tráfico de droga” no seu país. Para Ruth Monteiro, a Guiné-Bissau “já não é um Estado falhado nem um narcoestado, mas um grupo de pessoas abandonado”, entregue ao controlo das armas e sem que a comunidade internacional se preocupe com o destino desses dois milhões de almas de um pequeno país da costa ocidental africana. Por isso, pede a Portugal que faça mais, que pressione mais, que não se esqueça da história que os dois países têm em comum: “Não nos deixem sozinhos.” Na primeira parte do episódio, António Rodrigues e Elísio Macamo conversam sobre aquilo a que o jurista Rui Verde chama de instrumentos do neo-autoritarismo angolano num artigo publicado recentemente no site Maka Angola, isto é, da criação de novas leis e entidades para controlar e reprimir a dissidência e a crítica. Também falaremos das negociações em Madrid de um acordo patrocinado pelos Estados Unidos sobre o futuro do Sara Ocidental, esse país eternamente adiado que muito provavelmente nunca se tornará real. Meio século depois de Espanha ter abandonado a sua colónia, entregue aos marroquinos e aos mauritanos, e com a causa sarauí desaparecida com o tempo das lutas africanas, será que um governo autónomo para os sarauís dentro do reino de Marrocos é o mal menor que pode aspirar esse povo?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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“O racismo em Portugal está a evoluir ao contrário” 04.02.2026 48минO nosso entrevistado deste episódio é o escritor Ângelo Delgado, um português filho de pais cabo-verdianos que acaba de publicar o seu segundo livro. Chama-se Foi o Preto e é um regresso ao Portugal dos anos 1990, ao racismo, à culpabilização fácil do outro só por causa da cor da pele: a história de um homem injustamente acusado de um crime que não cometeu. Uma sociedade hostil que parecia ter-se apaziguado, mas que afinal continua igual no Portugal de agora, como o grande apoio ao partido Chega o demonstra. Para autor, nascido em 1981, jornalista de formação e actualmente copywriter de publicidade, aquilo que parecia ser uma situação da sociedade portuguesa dos anos 1990 volta agora, um racismo que agora se direcciona mais para pessoas do Hindustão. “O racismo em Portugal está a evoluir ao contrário”, lamenta. Antes da entrevista, falamos sobre a dívida angolana, os seus encargos e o círculo vicioso do endividamento que vai estrangulando as possibilidades de desenvolvimento do país. As contas de Angola do primeiro trimestre mostram que mais de metade do dinheiro dos cofres públicos angolanos será destinado a encargos financeiros com os seus empréstimos. Se a isto somarmos que do bolo total disponível, 24% servirão para pagar o ordenado aos funcionários públicos, percebemos que para o resto, para educação, saúde, saneamento básico, etc., etc. sobram 22%. Também conversamos sobre as etapas mais recentes da crise democrática na Guiné-Bissau, numa altura em que o líder da oposição, do PAIGC e do Parlamento destituído, Domingos Simões Pereira, foi libertado ao fim de 66 dias na prisão sem culpa formada, embora tenha sido enviado para casa sem possibilidade de comunicar com o exterior e guardado por homens fortemente armados.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Não há democracias em África? 21.01.2026 45минNeste episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast sobre temas africanos do PÚBLICO, António Rodrigues e Elísio Macamo vão falar do primeiro ano de mandato de Daniel Chapo como Presidente da República de Moçambique, completado no passado dia 15 de Janeiro, e conversar sobre o artigo que o historiador e politólogo camaronês Achille Mbembe escreveu na Jeune Afrique, defendendo que a democracia não está em crise em África, pura e simplesmente porque nunca existiu realmente democracia em África. Para Mbembe explicar as dinâmicas em curso no continente africano como sendo resultado da crise das democracias “é um contra-senso”. Diz ele que, “à excepção da África do Sul, do Botswana, das Seycheles, de Cabo Verde e, em menor medida, da ilha Maurícia, do Senegal, do Gana e da Nigéria, muito poucos regimes políticos do continente apresentam sequer os traços mínimos de um Estado de direito propriamente dito”. Para Mbembe, muitos países adoptaram a economia de mercado e o multipartidarismo, mas mantiveram os mesmos traços do partido-Estado de antes. Na segunda parte, teremos como convidado o investigador luso-angolano Eugénio da Costa Almeida, coordenador com Rui Verde do livro 50 Anos de Independências Africanas Vistos Pelos Seus Cidadãos, uma edição conjunta da editora portuguesa Perfil Criativo e da angolana Elivulu. Um livro que se pretendia ser uma reflexão mais abrangente sobre a evolução e o estado das independências dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, mas que acaba por nos demonstrar, mais uma vez, que, como dizem os seus coordenadores no prefácio, os membros do poder (com excepção de Cabo Verde), continuam a ter muita dificuldade em comunicar com a sociedade, “não descem do seu pedestal litúrgico, isolam-se num autoconvencimento que interroga o percurso pós-independência de muitos dos seus países”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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É difícil ser optimista em África em 2026 07.01.2026 49минO espírito do tempo e as sombras que pairam sobre um mundo em mudança geopolítica para uma ordem mais autoritária e soberanista podem afectar grandemente o continente africano e não se augura nada de bom para o ano que agora se inicia. Nem o professor Elísio Macamo, optimista por natureza, consegue antever algo positivo para 2026. O que já se antevê ou, pelo menos, que já antevê o Governo sul-africano, é que em Dezembro o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não irá convidar a África do Sul para a cimeira do G20, neste ano em que caberá aos norte-americanos assumir a presidência rotativa. Será a vingança do chefe de Estado norte-americano às alegadas perseguições a brancos na África do Sul, mas, sobretudo, ao facto de o seu homólogo, Cyril Ramaphosa, ter apresentado queixa contra Israel no Tribunal penal Internacional. Será um ano também para decidir o futuro de Angola face às eleições de 2027. Adalberto Costa Júnior o recém-reeleito líder da UNITA afirmou, numa entrevista aqui neste podcast, que João Lourenço ainda não desistiu de convencer o MPLA a rever a Constituição para levantar o limite de dois mandatos consecutivos. Quanto à Guiné-Bissau, os militares golpistas continuam como se nada fosse, não cumprindo as exigências da CEDEAO, nem libertando os presos políticos do golpe de 26 de Novembro nem criando um governo de unidade nacional. E lá vão tranquilamente enquanto a organização regional se remete ao silêncio. Será que não haveremos de ver novamente Umaro Sissoco Embaló, o Presidente deposto, na chefia do Estado? Na segunda parte, conversamos com Ana Paula Tavares, a vencedora do prémio Camões, o mais importante galardão das letras em língua portuguesa: a nona mulher premiada, sétima entre os africanos e terceira entre os angolanos, depois de Pepetela e Luandino Vieira (que, curiosamente, lhe publicou o primeiro livro na editora da União dos Escritores Angolanos em 1985). O escritor brasileiro Marco Lucchesi, membro da Academia Brasileira de Letras, ao comentar o prémio, disse dela que “reúne todas as virtudes que desaguam num compromisso ético”, com uma dicção lírica sem “concessões evasivas” e com “um sentimento profundo do século XXI: o passado e o futuro, em múltiplos géneros, a partir de uma chave humana e humanitária, poética e civil”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Líder da UNITA alerta: João Lourenço não desistiu de um terceiro mandato 10.12.2025 59минDias depois de ser reeleito presidente da UNITA com 91% dos votos, Adalberto Costa Júnior vem ao podcast Na Terra dos Cacos falar sobre os desafios políticos que se avizinham para construir uma alternativa ganhadora que possa vencer o MPLA nas eleições de 2027. Sendo que a criação de uma nova Frente Patriótica Unida ainda é possível, mesmo que não seja nos mesmos moldes que em 2022, porque Abel Chivukuvuku já tem o seu partido (PRA-JA Servir Angola) e porque o Bloco Democrático precisa de concorrer em nome próprio nestas eleições ou será extinto por não concorrer a dois pleitos consecutivos. Adalberto está optimista de que a coligação para 2027 é possível, incluindo activistas políticos. O presidente reeleito do partido do Galo Negro não está é convencido que terá como principal adversário um candidato novo do MPLA porque acredita que João Lourenço tem vontade de a candidatar-se a um terceiro mandato. Como isso é impossível, de acordo com a actual Constituição, Adalberto não põe de parte a possibilidade de que o actual Presidente angolano esteja a mexer os cordelinhos para que o MPLA reveja a Constituição e mude essa cláusula. Adalberto Costa Júnior foi eleito pela primeira vez para o cargo em 2019, num congresso da UNITA que o Tribunal Constitucional haveria de anular dois anos depois por alegadamente ter dupla nacionalidade (angolana e portuguesa) na altura da apresentação da sua candidatura – em 2021, voltou a ganhar na repetição do congresso. A norma de impedimento da dupla nacionalidade para o chefe de Estado foi feita à medida por causa de Adalberto Costa Júnior. Seis anos depois, o tema voltou outra vez à discussão em Angola, numa estranha coincidência temporal com as eleições internas da UNITA. O político angolano também se pronuncia sobre o assunto na entrevista, depois de o tema ser um dos assuntos em cima da mesa na conversa entre António Rodrigues e Elísio Macamo na primeira parte do podcast. O outro tema em discussão é o golpe de Estado na Guiné-Bissau e a resposta suave da organização regional da África Ocidental, a CEDEAO, à alteração da ordem pública guineense, num claro contraste com a defesa musculada do Presidente do Benim, Patrice Tallon, alvo de uma tentativa de golpe militar esta semana. O que se esconde por trás destes dois pesos e duas medidas?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Uma proposta para mudar o futuro de Angola 26.11.2025 53минDepois de uma carreira de sucesso no sector petrolífero que começou na Sonangol em 1980, passou por França e pela Partex, empresa petrolífera detida pela Fundação Calouste Gulbenkian até 2019 e incluiu uma passagem como ministro da Economia e do Mar no Governo português entre 2022 e 2024, António Costa Silva resolveu escrever um livro sobre Angola. Não é um livro de memórias, nem um acertar de contas com o seu passado de lutador anticolonial em Angola, onde nasceu, na localidade de Catombola, província do Moxico, em 1952. Antes é o livro de um homem que, aos 73 anos, não que perder tempo com ressentimentos, mesmo depois de ter passado, devido à repressão que se seguiu ao 27 de Maio de 1977, quase três anos na prisão, onde sofreu torturas, onde foi alvo de um fuzilamento simulado e de onde saiu apenas depois de duas greves de fome. O que oferece ao seu país, em Angola aos Despedaços – 50 anos depois, que futuro?, editado pela Guerra & Paz, é ao mesmo tempo um diagnóstico dos acertos e fracassos de 50 anos de independência e um road map para o futuro. A partir de toda a sua experiência como engenheiro, professor, gestor, ministro e idealizador de um plano de recuperação de Portugal para o pós-troika, António Costa Silva propõe uma Estratégia para o Desenvolvimento que permita corrigir muitos dos erros cometidos e aproveitar todo o potencial que Angola tem. António Costa Silva será o nosso entrevistado, depois de na primeira parte falarmos sobre o levantamento pela TotalEneergies da força maior no seu projecto de exploração gás natural na província moçambicana de Cabo Delgado. E das eleições e da crise democrática na Guiné-Bissau – como o programa foi gravado na terça-feira, a conversa não inclui o alegado golpe de Estado que esta quarta-feira suspendeu o processo eleitoral e as instituições democráticas no país. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Pode um país ser realmente independente sem investir na educação? 11.11.2025 46минNo episódio desta semana do podcast Na Terra dos Cacos assinalamos os 50 anos da independência de Angola, que se comemoram este 11 de Novembro. Por isso, o formato é diferente do habitual, só com uma parte preenchida com um resumo do debate promovido pelo PÚBLICO e organizado pelo Instituto Superior Politécnico Sol Nascente, no Huambo. Além do professor Elísio Macamo, os sociólogos David Boio e Paulo Inglês, o especialista em educação Isaac Paxe e a vice-presidente do Instituto Superior Politécnico de Humanidades e Tecnologias – Ekuikui II, Emília Pepeca, discutiram a relação entre educação e soberania. Há quase 50 anos, a 11 de Novembro de 1975, no discurso de declaração da independência de Angola, Agostinho Neto referiu o “propósito inabalável” da República de Angola de “conduzir um combate vigoroso contra o analfabetismo em todo o País, de promover e difundir uma educação livre, enraizada na cultura do Povo angolano.” Passado meio século, a luta contra o analfabetismo continua em Angola. Se em 1975, 85% da população era considerada analfabeta, hoje essa taxa baixou para 24%, como referiu o Presidente João Lourenço no seu discurso sobre o Estado da Nação. No entanto, como referiu o economista Jorge Mauro, apesar da percentagem ter baixado substancialmente, hoje em termos absolutos há mais analfabetos que em 1975, pois com o aumento da população, que passou de 6,8 milhões de habitantes para 36,1 milhões, os 85% de há 50 anos equivaliam a 6,8 milhões de habitantes, enquanto que os 24% de hoje equivalem a 8,6 milhões de angolanos. Em 1957, Kwame Nkrumah, dizia que o progresso do seu país, o Gana, seria avaliado pelo “progresso na melhoria da saúde do nosso povo; pelo número de crianças na escola e pela qualidade da sua educação; pela disponibilidade de água e electricidade nas nossas cidades e aldeias, e pela felicidade que o nosso povo sente ao poder gerir os seus próprios assuntos.” O ano passado, Antero Almeida, representante da UNICEF em Angola, lamentava-se pelo facto de apesar de o orçamento para a educação ter vindo a aumentar, ainda haver um grande número de crianças fora do sistema educativo, as salas de aulas estão sobrelotadas e a qualidade do ensino ressente-se também por causa disso. Quer isto dizer que, pelos critérios de Nkrumah, o progresso de Angola ressente-se por causa dos problemas da educação e que o “propósito inabalável” de Agostinho Neto continua por realizar? Será que um país que não investe na educação perde soberania? No sentido em que o conhecimento, a tecnologia, os cérebros, a inovação, os produtos essenciais ao funcionamento da economia, até os critérios de avaliação têm de ser importados?See omnystudio.com/listener for privacy information.
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A jornada de um diplomata brasileiro para se tornar guineense 29.10.2025 48минO cientista e diplomata brasileiro Ernesto Mané Jr., que acaba de publicar na editora Tinta da China do Brasil o livro Antes do Início, um diário da sua primeira viagem a África, numa busca da sua identidade guineense é o nosso entrevistado deste episódio. Nascido em João Pessoa, na Paraíba, Ernesto Mané Jr. é filho de um economista guineense e este é o relato da sua viagem às origens, da visita aos seus familiares na Guiné-Bissau. Uma conversa com um físico nuclear de formação que resolveu seguir outra carreira, a de diplomata, depois de ter percorrido as pegadas do seu pai, com quem não conviveu durante a sua infância e ao qual se reaproximou quando tinha 20 anos. O livro é um diário de uma jornada emocional e formativa que esteve na gaveta alguns anos e agora foi trabalhado como obra literária. Hoje Ernesto Mané Jr. já é, orgulhosamente cidadão da Guiné-Bissau. Na primeira parte, a Guiné-Bissau também faz parte do menu da conversa entre António Rodrigues e Elísio Macamo. A crise democrática que o país atravessa vai saldar-se com um acontecimento histórico: pela primeira vez na história de 52 anos de independência o PAIGC e o seu líder não vão concorrer nas eleições. E não foi por o antigo partido único se ter tornado irrelevante no panorama político da Guiné-Bissau. O PAIGC com a sua coligação PAI-Terra Ranka venceu as eleições de Junho de 2023 com maioria absoluta. Passou foi a ser visto pelo Presidente guineense como um obstáculo à sua visão autoritária da política e ao seu desejo de criar uma maioria parlamentar para mudar a Constituição e transformar o sistema político para um regime presidencialista, mais de acordo com a sua prática do poder, que ele próprio várias vezes mencionou: na Guiné-Bissau há só um chefe, Umaro Sissoco Embaló. Também vamos falar da queda do Presidente em Madagáscar. Andry Rajoelina – que, na verdade, em malgaxe se pronuncia Antsh Ratzuelna –, não resistiu aos protestos de um movimento jovem chamado Gen Z ou geração Z que tem vindo a realizar manifestações substanciais nos últimos tempos em Ásia e África. Não se trata de um movimento transnacional, mas “antes de uma tomada de consciência colectiva de uma juventude que deseja criar um espaço horizontal para partilha de soluções”. E que se vê com capacidade para exercer pressão nas ruas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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“O que está mal em Angola e Moçambique é a cultura política” 15.10.2025 47минNeste novo episódio de Na Terra dos Cacos, o podcast do PÚBLICO sobre temas africanos, a conversa gira em torno do arranque da corrida eleitoral à liderança do principal partido opositor em Angola, que deverá levar à reeleição de Adalberto Costa Júnior como presidente do partido. O líder do Galo Negro apresentou o seu manifesto de candidatura e uma lista de 240 figuras importantes do partido que apoiam a sua reeleição. Oportunidade para Elísio Macamo falar do trabalho da UNITA e do seu líder na oposição ao Governo de João Lourenço, capaz de transmitir aos eleitores a ideia de que “a mudança a favor da UNITA será da serenidade e não do caos”. Algo importante tendo em conta que tanto em Angola, como em Moçambique, aquilo que “está mal é a cultura política”. Também conversamos sobre o papel desempenhado pela Turquia em África, onde o país já se tornou um interlocutor importante, isto porque amanhã, quinta-feira, 16 de Outubro, começa em Istambul mais uma edição do Fórum Económico e Empresarial Turquia-África, que já vai na sua quinta edição. Na segunda parte, o nosso entrevistado desta semana é o moçambicano Stewart Sukuma, um cantor com uma carreira de mais de 40 anos que esta sexta-feira, dia 17, dá um concerto no Coconuts, em Maputo, acompanhado da Banda Nkhuvu e tendo como convidado outro cantor moçambicano de longa carreira, Aniano Tamele. Uma oportunidade para falar de uma carreira que se construiu paralelamente à construção de Moçambique enquanto país, que este ano comemorou 50 anos de independência, e que sempre se pautou por um apelo a uma paz efectiva que permita aos moçambicanos usufruir dos seus vastos recursos e diversidade cultural. Há pelo meio um elogio ao silêncio como “o som dos deuses”. See omnystudio.com/listener for privacy information.
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“Hoje, já não acredito que a verdade vem sempre ao de cima” 01.10.2025 53минJoão Paulo Borges Coelho tem novo livro, mais um voo rasante sobre a história de Moçambique, tendo como protagonista um moçambicano que sabia ler e escrever num tempo em que muitos dos brancos que iam da metrópole eram analfabetos. José Fernandes Jr., o personagem central de Narração Nocturna, editado pela Caminho, é encarregado pelos denominados Chefes Grandes de escrever a história da Chiúta, distrito na província de Tete. Sendo “Moçambique um país, como no resto de África, em que se nasce muito e se morre muito e muito cedo, a memória social ou colectiva é muito frágil”, o escritor moçambicano insiste em “remar contra a maré”, mas confessa que se “antes acreditava que a verdade acaba sempre por vir ao de cima: hoje já não acredito nisso”. E embora esteja em paz com a ideia de que “a evolução é uma espécie de entropia, perdem-se coisas para se ganhar novas coisas”, a ele cabe-lhe “esta luta” de “levantar coisas” que lhe parecem importantes e que acha “importante que sejam relembradas”. Antes da entrevista, na primeira parte, António Rodrigues e Elísio Macamo voltam ao tema da Guiné-Bissau, depois de na semana passada o Supremo Tribunal ter dado mais um golpe na estrutura carcomida da democracia, atacada por todos os lados pelos caprichos do Presidente Umaro Sissoco Embaló, cujo mandato terminou a 27 de Fevereiro, mas que se mantém no poder por sua livre e espontânea vontade. Desta vez, a maioria dos juízes recusou apreciar a candidatura da coligação PAI-Terra Ranka, que ganhou com maioria as eleições de Junho de 2023, porque a mesma teria sido entregue fora de prazo, apesar de na justificação o tribunal referir que o prazo acabava a 25 de Setembro e a candidatura entrara no dia 19. Também conversam sobre o anúncio da próxima cimeira África-França, que se realizará em Maio de 2026, pela primeira vez num país cuja língua oficial não é o francês. A cimeira tem por título Africa Forward, porque não só aponta para o futuro como está em inglês. Apesar de os franceses continuarem a olhar para si como herdeiros de um império que deixou a sua língua como língua oficial de cerca de 30 países, há muito que o francês deixou de ser língua franca, substituído pelo inglês. E até Paris o reconhece.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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O silêncio ensurdecedor de Portugal (e da CPLP) sobre o autoritarismo na Guiné-Bissau 17.09.2025 47минA quase dois meses das eleições legislativas e presidenciais na Guiné-Bissau tudo são dúvidas e entre as poucas certezas está a de que Umaro Sissoco Embaló transformou o seu mandato na presidência num exercício de autoritarismo, de interpretação ad hoc da Constituição, inclusive dos limites temporais do seu mandato: deviam ter sido cinco anos, deviam ter terminado a 27 de Fevereiro, mas seguem e seguirão até ao próximo ano, garantindo ao Presidente da Guiné-Bissau um mandato de seis anos que ele próprio instituiu para si. Perante este cenário de deriva autoritária de Embaló, de instrumentalização dos poderes judiciais e legislativos, de perseguição a políticos opositores e activistas, sujeitos a violência física, acusações judiciais e repressão dos seus direitos, de silenciamento da imprensa independente (levando até ao encerramento das delegações da RTP, RDP e Agência Lusa e à expulsão dos seus jornalistas do país), estranha-se o silêncio de Portugal (e da CPLP, de que a Guiné-Bissau tem a presidência nesta altura), que tantos elogios teve para Embaló (Marcelo Rebelo de Sousa até lhe deu uma das mais importantes condecorações portuguesas). Além da situação guineense, neste episódio também conversamos sobre o Sudão do Sul e de como a detenção e as acusações contra o vice-presidente Riek Macharcolocam o país mais jovem do mundo à beira de uma nova guerra civil entre os apoiantes do Presidente Salva Kiir e os de Machar (que estiveram em guerra entre 2013 e 2018). Na segunda parte, o sociólogo João Feijó, investigador do Observatório do Meio Rural e arguto observador da realidade política moçambicana, conversa connosco sobre o diálogo intrapartidário em Moçambique, a inclusão ou não do recém-formado partido de Venâncio Mondlane nesse diálogo e os prós e contras dessa inclusão. Uma conversa em que se fala também da aproximação de Mondlane ao partido Chega em Portugal e a essa internacional de extrema-direita que tem Donald Trump como referência.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Популярен в
Този подкаст се появява и в подкаст класациите на тези държави.